Relatório do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos estima que 9 milhões de pessoas vivem em absoluta pobreza no Afeganistão, 36% da população.

A corrupção, a impunidade, o clientelismo e o excesso de ênfase em questões de segurança a curto prazo, no lugar de desenvolvimento a longo prazo, estão agravando a pobreza extrema de mais de 2/3 da população afegã.

A conclusão está em relatório publicado nesta terça-feira pelo Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

Pobreza

O documento revela situação alarmante entre os afegãos, afetados por profunda crise econômica 8 anos após o Acordo de Bonn.

O consenso de 2002 previa um novo começo para o país após décadas de conflito, com injeção de cerca de US$ 35 bilhões, o equivalente a mais de R$60 bilhões, até o ano passado.

Apesar dos recursos, a chefe do Escritório de Direitos Humanos da ONU no país, Norah Niland, lembrou que 9 milhões de pessoas vivem em absoluta pobreza no Afeganistão, 36% da população.

Em coletiva de imprensa em Cabul, ela ressaltou que a pobreza mata mais afegãos do que aqueles que morrem como resultado direto do conflito armado.

Acidental

O relatório revela ainda que o Afeganistão tem a segunda maior taxa mundial de mortalidade materna e a terceira de mortalidade infantil. Apenas 23% dos habitantes tem acesso à água potável e 24% acima de 15 anos sabem ler e escrever.

A pobreza não é acidental nem inevitável no país, de acordo com o documento. O conflito e a insegurança são fatores agravantes, mas existe um enorme déficit de direitos humanos, incluindo a impunidade generalizada e a falta de investimentos.

Rádio ONU