O primeiro trimestre do ano esteve centrado na organização das eleições legislativas, que se realizaram a 10 de março, depois de terem sido adiadas em 2018.

As legislativas deram a vitória, sem maioria, ao Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

Com base num acordo de incidência parlamentar, que envolveu mais três partidos, nomeadamente a Assembleia do Povo Unido - Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB), União para a Mudança e Partido da Nova Democracia, o PAIGC conseguiu formar Governo.

Mas aos rápidos acordos alcançados, para ser obtida a maioria no parlamento para a nomeação de um novo Governo capaz de tirar o país do marasmo, opôs-se a vontade do chefe de Estado cessante, José Mário Vaz, que apenas e após a pressão dos parceiros internacionais, e já em julho, depois de o seu mandato ter terminado a 23 de junho, deu posse ao Executivo, que saiu das legislativas de 10 de março.

O novo Governo acaba por tomar posse a 03 de julho, depois de uma cimeira extraordinária da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que tem mediado a crise política no país, o ter ordenado.

A cimeira, realizada a 29 de junho em Abuja, determinou também que o Presidente cessante se manteria em funções, mas teria que deixar a gestão das questões governamentais para o primeiro-ministro, Aristides Gomes, e para o novo Governo.

O nome de Aristides Gomes acabaria por ser indicado pelo PAIGC, depois de José Mário Vaz ter recusado por duas vezes o nome de Domingos Simões Pereira, presidente daquele partido proposto inicialmente para o cargo.

Depois da tomada de posse, o Governo inicia a preparação e organização das eleições presidenciais, marcadas para 24 de novembro.

Uma nova crise política começa no início de novembro com a decisão de José Mário Vaz de demitir o executivo de Aristides Gomes e nomear um outro, com base num alegado acordo parlamentar que teria a maioria com o apoio da APU-PDGB.

O apoio da APU-PDGB não se revelou ao nível do parlamento, com três dos seus cinco deputados a admitirem continuar a apoiar o Governo de Aristides Gomes.

A decisão de José Mário Vaz provocou a indignação e condenação dos parceiros internacionais, principais financiadores das legislativas e presidenciais, que ameaçaram com a imposição de sanções.

A primeira volta das presidenciais realizou-se como previsto a 24 de novembro, mas nenhum dos 12 candidatos conseguiu obter a maioria dos votos dos guineenses.

A segunda volta está marcada para 29 de dezembro e vai ser disputada por Domingos Simões Pereira, do PAIGC, e Umaro Sissoco Embaló, do Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15), líder da oposição no país.

O Presidente cessante falhou a segunda volta, tendo obtido pouco mais de 12% dos votos dos guineenses.

Com um final de ano eleitoral, os guineenses aguardam por 2020 para saberem quem será o novo Presidente do país e com desejos expressos de estabilidade política, que permita desenvolver a Guiné-Bissau em setores que consideram essenciais, nomeadamente saúde, educação e criação de emprego.

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