O FMI realizou várias missões ao país ao longo do ano e aprovou em outubro um novo financiamento de 18,2 milhões de dólares, a disponibilizar ao longo de 40 meses, em função das análises trimestrais.

Uma primeira tranche de 2,6 milhões de dólares foi desembolsada de imediato para “apoiar as reformas económicas e estruturais”.

A instituição alertou várias vezes para os “enormes desafios” que a economia são-tomense enfrenta – como a crise de abastecimento de petróleo, a quebra de exportações ou a diminuição de importações de bens e serviços – e advertiu para a necessidade de “tomar decisões difíceis” e de realizar “reformas que são absolutamente necessárias”.

Uma dessas medidas é a introdução do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA), que deverá entrar em vigor em março de 2020, e que o Governo reconhece representar “um desafio”, mas que disse ser uma importante fonte de receitas para “fazer face aos exigentes desafios ao desenvolvimento”.

Também foi o FMI que, em junho, responsabilizou o Governo anterior, liderado por Patrice Trovoada (Ação Democrática Independente, agora na oposição) de ter escondido várias dívidas e despesas, que colocaram o país numa situação de endividamento "praticamente descontrolada".

O primeiro-ministro, Jorge Bom Jesus, anunciou em outubro que iria enviar ao Ministério Público os documentos relacionados com o que descreveu como "dívidas ocultas" pelo anterior executivo ao FMI, superiores a 70 milhões de dólares.

O ex-primeiro-ministro Patrice Trovoada, que liderou o país entre 2014 e 2018, rejeitou a existência de "dívidas ocultas" durante a sua governação, afirmando estar em causa “uma questão técnica”, e acusou o atual executivo de "propaganda política difamatória".

Na Justiça, multiplicaram-se casos, alguns envolvendo membros do anterior Governo, e que levaram o Presidente da República, Evaristo Carvalho, a classificar esta área como “moribunda”, numa entrevista à Lusa.

A cervejeira nacional, Rosema, cuja disputa pela posse corria nos tribunais há 11 anos, foi retirada em maio aos são-tomenses Domingos e António Monteiro e devolvida ao dono original, o empresário angolano Mello Xavier.

Dias depois, três dos cinco juízes do Tribunal Constitucional – nomeados já pelo novo Governo – decidiram restituir a cervejeira aos irmãos são-tomenses, uma decisão nunca acatada e que levou ao despedimento dos magistrados.

Um dos casos mais polémicos foi a detenção, em abril, do ex-ministro das Finanças do Governo de Patrice Trovoada, Américo Ramos, pela Polícia Judiciária, sem mandato do Ministério Público (MP).

Em julho, o MP ordenou o arquivamento, por “inexistência de indícios criminais”, de dois processos que envolviam o ex-ministro Américo Ramos e o antigo primeiro-ministro Patrice Trovoada, considerando não existirem indícios suficientes dos crimes de corrupção, peculato, participação económica em negócio.

A preocupação com a Justiça levou o Presidente, Evaristo Carvalho, o presidente da Assembleia Nacional (parlamento), Delfim Neves, e o primeiro-ministro, Jorge Bom Jesus, a assinar em setembro um documento, “Desafios da Justiça para o século XXI”, no qual se comprometem a promover a reforma da justiça no país, um pacto ‘patrocinado’ pelas Nações Unidas.

O ano foi também marcado por problemas do líder da oposição, o ADI, depois de Patrice Trovoada se ter demitido da presidência do partido, após ter falhado a formação de Governo, apesar de ter vencido as eleições legislativas de outubro de 2018.

Duas alas do partido elegeram, em congressos diferentes, Agostinho Fernandes e Patrice Trovoada, para a presidência do ADI, mas o Tribunal Constitucional apenas reconheceu o primeiro como líder partidário.

Na ilha do Príncipe, o União para a Mudança e Progresso do Príncipe (UMPP) - que apoia o presidente do Governo Regional, José Cardoso Cassandra, atualmente no quarto mandato -, ganhou um novo líder: Filipe Nascimento.

Por sua vez, ‘Tozé’ Cassandra admitiu que pretende avançar como candidato às eleições presidenciais, previstas para 2021, uma corrida que deverá dominar a cena política no próximo ano.

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