O dia 13 de Janeiro – Dia da Liberdade e da Democracia - é feriado em Cabo Verde por ser a data em que, pela primeira vez, os cabo-verdianos exerceram o seu direito de voto nas primeiras eleições multipartidárias no país, realizadas a 13 de Janeiro de 1991.
A história recente de Cabo Verde está marcada por duas datas que marcam indelevelmente os dois momentos mais importantes. Após mais de 500 anos como colónia o país obteve a sua independência face a Portugal, a 5 de Julho de 1975, e dezasseis anos depois, seria a vez dos ventos da História chegarem às ilhas, com a realização das primeiras eleições livres no país.
Na sequência da conjuntura internacional e da revisão de 1990 da Constituição em vigor - que permitiu a abertura do país rumo à democracia -, o então recém criado Movimento para a Democracia (MpD), que congregava várias figuras da oposição ao regime de partido único do Partido Africano para Independência de Cabo Verde (PAICV), apresentou-se às urnas, vencendo as primeiras eleições legislativas multipartidárias do país.
A data em questão foi instituída como feriado nacional pelo governo do MpD – acusado, por alguns, de a “impôr” ao partido derrotado - celebrando, assim, o momento histórico da viragem democrática. Se o facto  histórico é inequívoco, a sua designação – Dia da Liberdade e da Democracia - nunca foi totalmente aceite pela ala afecta ao PAICV, com argumentos vários esgrimidos de uma e outra parte, com melhor ou pior fundamentação, para lá do pleonasmo muitas vezes evocado.
E é por isso que, ao fazer um balanço destes 19 anos, o jurista Jorge Carlos Fonseca referia, numa conferência, em Lisboa, que o país “ se dividiu em duas metades”, uma afecta ao 5 de Julho e outra ao 13 de Janeiro. O que confirma algumas ser esta uma das “fracturas” na sociedade acabo-verdiana, nestes 35 anos de independência que agora se celebram.
No entanto, com a mudança das mentalidades e alguma “pacificação” nas hostes, imposta pelas novas gerações de eleitores, a tendência aponta para uma diluição das paixões em torno das duas datas e chegará o momento em que ambas, citando Jorge Carlos Fonseca, possam ser comemoradas com o “mesmo sentimento patriótico” por todos os cabo-verdianos.
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Veja Aqui Reportagem sobre conferência sobre o 13 de Janeiro, Aula Magna, Lisboa

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