Comemora-se hoje o Dia Mundial da Luta contra a SIDA. O lema estabelecido é "Juntos Rumo a Zero". E até que a nível mundial, o número de mortes e de novos casos de VIH/SIDA tem diminuído. Já em Cabo Verde, o número de casos registados de VIH/SIDA em 2010 foi maior que 2009. O secretário executivo do CCS-SIDA sustenta que o aumento de número de casos registados deve-se ao aumento do número de testes realizados.

Segundo dados do CCS-SIDA (Comité de Coordenação do Combate à SIDA), o número de casos de VIH/SIDA acumulados até 2010 é de 3.299, com 727 óbitos. A taxa de prevalência do VIH/SIDA no país ronda os 0,8 por cento, o que coloca Cabo Verde no grupo de países com fraca prevalência para o VIH/SIDA, com taxa inferior a 1 por cento.

O secretário executivo do CCS-SIDA, José António dos Reis, defende que o aumento de número de casos registados deve-se a um aumento do número de testes efectuados. Se em 2010 foram registados 411 casos novos de seropositivos no país, mais 92 casos em relação a 2009 (319 novos casos de infecções detectados), no mesmo período foram efectuados mais de 20 mil testes (ver tabela).

Apesar da taxa de prevalência do vírus a nível nacional ser de 0,8 por cento, existem dois subgrupos considerados de maior risco e que apresentam, em 2010, valores muito superiores ao referido. É o caso dos Profissionais Trabalhadores do Sexo - 5,3 por cento e dos Usuários de Droga - 3,6 por cento. O responsável do CCS-SIDA refere ainda um terceiro subgrupo, os homens que fazem sexo com homens, mas sobre esta camada da população não há ainda estudos disponíveis.

Em 2009, os dados de notificação de novos casos revelam que  quase 55% eram mulheres. Das 2.888 pessoas infectadas com o VIH, 1.290 eram do sexo masculino (44,7%) e 1.541 do sexo feminino (53,4%). Em termos etários, a notificação de 2009 revela que 67.4 por cento das infecções detectadas situa-se no grupo etário dos 25 – 54 anos. O principal modo de transmissão é a via sexual que representa mais de 80% dos casos notificados.

O VIH está mais presente no meio urbano do que no meio rural, com particular destaque para Santiago e  para o concelho da Praia, que são as regiões mais populosas e também as mais afectadas pela epidemia, situando-se as respectivas taxas de seroprevalência em 1.2 por cento e 1.7 por cento, que são valores superiores à média nacional.

O primeiro caso de infecção por VIH nas ilhas foi detectado em 1986. Segundo o Plano Nacional de Luta contra a Sida 2011-2015 (PENLS), desde então, Cabo Verde vem registando progressos significativos no combate ao VIH/SIDA. Este plano já é o terceiro a nível nacional e é financiado quase na totalidade pelo Fundo Global.

Uma das metas deste plano é até 2013 dispor de informações sobre o impacto do VIH-SIDA nos indivíduos, nas famílias e na sociedade cabo-verdiana.

Mortes e novos casos diminuem no Mundo

Em 2010, foram registados 2,7 milhões de novas infecções pelo VIH, o número mais baixo desde 1997 e que representa uma redução de 21% em relação ao pico atingido nesse ano. Segundo o relatório da ONU-SIDA, OMS e UNICEF, desde 2001, a incidência anual do VIH caiu em 33 países, 22 deles localizados na África subsaariana, região mais afectada pela epidemia - cerca de 70 por cento dos casos existentes. Contudo, na Europa do Leste e na Ásia Central, o número de novas infecções continua a crescer.

No final de 2010, cerca de 34 milhões de pessoas no Mundo viviam com o VIH. No mesmo ano, estima-se que 1, 8 milhões de pessoas morreram de doenças relacionadas com o VIH/SIDA, menos 400 mil pessoas que em 2005. As mesmas estatísticas indicam que 47% das  pessoas que necessitam de tratamento tem acesso à terapia antiretroviral.

É um dos Objectivos do Desenvolvimento do Milénio (ODM) Combater o VIH- SIDA, a malária e outras doenças. Até 2015, a ONU – SIDA e a OMS traçaram uma meta a cumprir: zero novas infecções, zero discriminações e zero mortes por VIH/SIDA.

Saiba mais em: "2011- Global HIV/AIDS Response"

Vírus na CPLP

Com uma taxa de prevalência da infecção pelo VIH de 0,8 por cento, Cabo Verde está em quarto lugar na lista dos países com menor prevalência do VIH/SIDA dentro da CPLP. A prevalência varia grandemente de pais a pais, desde aquela estimada para Timor Leste (0,19%), baixíssima, a epidemias generalizadas, como se observa em Moçambique (11,5%), por exemplo.Ver quadro (dados de 2009).

Os países da CPLP compartilham uma série de compromissos relacionados com a resposta global a epidemia de SIDA. Dentro dos protocolos mais recentes está a “Declaração de Lisboa”, acordada em 2008 durante a VII Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da CPLP.

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Página Oficial do Dia Mundial da Luta Contra a SIDA

"Situação do VIH-SIDA em Cabo Verde"
, nas palavras de José António dos Reis, Secretário-Executivo CCS-SIDA

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