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Estudantes cabo-verdianos na diáspora: "O maior choque foi a universidade" – Melanie

26 de Julho de 2012, 20:22

Tem 18 anos e objectivos ambiciosos. Melanie chegou a Portugal há cerca de um ano, estuda Economia na Universidade Nova de Lisboa, e contou ao SAPO como são os problemas e os desejos de um estudante cabo-verdiano na diáspora.

Melanie embarcou na viagem de tirar uma licenciatura há dez meses. Chegou a Lisboa com a mala cheia de sonhos e incertezas, mas passados dois semestres de aulas, testes e bastantes horas de estudo, o resultado é positivo. "Passei a todas as cadeiras", afirma a estudante, que deixou a Cidade da Praia para trás.

A adaptação ao novo país teve altos e baixos. A preocupação que Melanie teve no início de não ser bem recebida passou. "No primeiro semestre foi mais difícil porque eu não estive cá no período de integração. Tinha medo. Pensava: 'Será que vão gostar de mim'", confessa. Mas a presença da avó, que "esteve muitas vezes" com ela, as visitas do pai, que a veio visitar três vezes, e o facto de ter familiares em Portugal fizeram com que o receio inicial desse lugar ao optimismo.

A maior dificuldade surgiu onde a "boa aluna" menos esperava: na escola. "O maior choque por que passei foi na universidade. Havia matérias, como o Binómio de Newton, que todos conheciam e eu não", conta. Outro dos problemas foi a "rapidez com que as aulas decorrem" e a sua duração (1h30). Além disso, Melanie revela que em Portugal há menos "afinidade" entre os colegas. Mas depois de ter ultrapassado os primeiros obstáculos e de ser ter habituado à nova realidade, o balanço da jovem é novamente optimista: "A nível escolar foi um amadurecimento enorme."

"Só chorei com as minhas má notas"

Melanie não perde tempo com lamentos e critica quem o faz. Apesar de admitir que a "pior parte" é estar "longe de casa", prefere retribuir o esforço que os pais fazem para ela estar em Lisboa com empenho e dedicação. Claro que também chora, mas não é pela distância que a separa do seu país. "Muitos dos estudantes chegam cá e começam a chorar com saudades, eu só chorei com as minhas má notas", assegura.

Além disso, a aluna de Economia deixa um conselho àqueles que querem estudar fora: "Digo para não virem com a ideia - ‘Como é o primeiro ano, não me vou esforçar’. Eu esforço-me todos os dias, por muito que às vezes não aguente, por muito que às vezes me dê vontade de desistir", confessa. 

O optimismo e o trabalho parecem ser as armas de Melanie para enfrentar o futuro. Agora, que o ano lectivo acabou, a estudante não sonha com umas férias em Cabo Verde. A explicação é simples: "Com o mercado difícil, como está em Portugal e em Cabo Verde, eu prefiro abdicar de ir à praia, de estar com a família, ver amigos, ir ao ‘Cometa’, que é o lugar onde todos se encontram, e meter-me em projectos. Dou mais valor a isso."

Se tiver sorte, Melanie vai fazer a mala e partir de novo. Por sua vontade, a pausa escolar será passada a fazer um estágio na Índia. Se não for possível, outros sonhos virão. Parada é que Melanie não quer ficar: "O meu objectivo não é terminar o curso e depois ir sentar-me atrás de uma secretária. Quero chegar ao topo. Se o topo for dois degraus acima de onde eu estou, que seja".


Texto@Hugo Maduro


Vídeo@Evandro Delgado e Hugo Maduro


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