Aos 75 anos de idade, e agora em mais um papel de Lucius Fox, pai-emprestado de Christian Bale, no novo filme da trilogia de Batman, 'O Cavaleiro das Trevas Ressurge', de Cristopher Nolan, o actor americano - que melhor vestiu até hoje o papel de Deus no ecrã - diz ao jornalista do "The Guardian" que é um homem com "sorte".
A sorte de poder escolher os papéis, de lhe serem enviados guiões específicos para o seu perfil, sorte em trabalhar por gosto e não por necessidade.
Desde os primeiros papéis em séries para a televisão americana - uma das quais voltada para a aprendizagem da língua inglesa - de séries infanto-juvenis, até ao sucesso relativamente tardio, Morgan Freeman atingiu um patamar invejável em Hollywood.
Morgan poderia, como escreve o repórter, içar as velas do seu veleiro de 40 pés e rumar, tranquilamente, até às Caraíbas. Depois de Deus, já interpretou Nelson Mandela no cinema, talvez a personalidade viva mais consensual da actualidade.
Nomeado e vencedor de óscares e de outras distinções, com papéis notáveis, como em 'Driving Miss Daisy, 'Os Condenados de Shawshank', 'Seven', entre outros, Morgan Freeman conseguiu conquistar uma imagem de respeitabilidade, que lhe vem, em parte, da credibilidade insuflada em todas as suas personagens.
Mantém-se um cidadão politicamente activo, com várias intervenções em programas de televisão que se tornaram célebres, como quando questionou, no Larry King Live, a ideia do mês da História Negra nos Estados Unidos. "Porque não também um Mês da História Branca?", perguntou.
"A História Negra é a história dos Estados Unidos". Morgan defende que este mês especial dedicado aos negros americanos não é mais do que uma forma de segregação. Outra das suas conhecidas tiradas tem que ver com a palavra afro-americano. "Detesto essa frase", diz, "porque 'negro' é uma palavra bonita, uma sílaba apenas em vez de sete."
Nos últimos tempos a sua intervenção tem sido no sentido de denunciar as manobras republicanas de desacreditar o presidente Barack Obama. " O que mais me chateia é este foco da parte da extrema direita na sua componente negra - a sua mãe branca nunca é referida.
Mesmo hoje, isto só serve para lembrar que se fores filho de pais mistos, a primeira coisa que deves saber é que a componente branca só vale para ti próprio. Ninguém irá reconhecer-te como branco, serás sempre um negro."
SAPO
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