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Governo cabo-verdiano promete para breve todas as informações sobre negócios da TACV

14 de Novembro de 2017, 13:44

Praia, 14 nov (Lusa) - O ministro das Finanças de Cabo Verde, Olavo Correia, prometeu hoje divulgar, em breve, toda a informação relativa aos negócios que envolvem a companhia aérea TACV, depois do ex-primeiro-ministro José Maria Neves ter questionado a transparência do processo.

"Brevemente todos os cabo-verdianos vão ter toda a informação sobre o processo. Estamos a trabalhar com toda a transparência. É óbvio que, numa fase inicial, não podemos partilhar tudo porque estamos num processo de privatização e é preciso que determinadas informações sejam reservadas para que possamos proteger o interesse público. No momento certo, todos os cabo-verdianos terão acesso a toda a informação", disse.

Olavo Correia falava hoje aos jornalistas, na cidade da Praia, no final da visita a uma adega.

Terça-feira, numa publicação na sua página na rede social Facebook, o ex-primeiro-ministro de Cabo Verde José Maria Neves questionou a transparência nos negócios que envolvem a companhia pública de aviação TACV, criticando a não divulgação dos estudos e contratos que os sustentam.

A empresa de Transportes Aéreos de Cabo Verde (TACV) deixou de fazer voos domésticos entre as ilhas cabo-verdianas, que desde agosto passaram a ser assegurados em exclusividade pela Binter Cabo Verde, empresa em que o Estado cabo-verdiano deverá entrar com 49% do capital.

Paralelamente, o Governo assinou um acordo com o grupo Icelandair para a gestão da operação internacional da companhia e reestruturação da empresa com vista à sua privatização, sendo que nenhum dos acordos foi divulgado publicamente.

"O Governo decide retirar os TACV dos voos inter-ilhas e entregar, sem concurso público, sem publicação de estudos ou dados que fundamentem essa estratégica decisão, o negócio, em regime de monopólio, a uma empresa privada, com a informação suplementar de que o Estado de Cabo Verde seria acionista da referida empresa. Um ano depois, ficamos a saber que o Estado nem sequer ainda faz parte da empresa, os valores estão a ser discutidos. Um negócio a todos os títulos intransparente, cujos contornos a sociedade e os cidadãos não conhecem", escreveu José Maria Neves.

O ex-primeiro-ministro questiona também o acordo estabelecido com a Icelandair.

"Os estudos, se existem não são publicados, o contrato Governo-Icelandair está sujeito a cláusulas de confidencialidade e alguns empresários próximos do partido no poder vêm dizendo que se trata de um grande negócio e que ultrapassada esta fase de transição, cujos prazos e custos a sociedade também não conhece, as pessoas verão os resultados", prosseguiu Neves.

Na resposta, Olavo Correia lembrou que José Maria Neves teve 15 anos para resolver a situação da companhia aérea pública, que acumula um passivo de 100 milhões de euros, e não o fez.

"Deixou uma empresa completamente falida, um país sem qualquer visão do ponto de vista dos transportes aéreos e agora vem dar lições de como devemos atuar? Dê-nos tempo que iremos apresentar uma boa solução para o país", disse Olavo Correia.

O ministro das Finanças sublinhou a complexidade, dificuldades e os riscos do processo e pediu "calma e paciência".

"Estamos a trabalhar com estudos, com pareceres, com apoio de bancos que conhecem o negócio para que o possamos estruturar da melhor forma. Não é um negócio fácil, comporta riscos, é muito exigente, mas estamos convencidos que será possível. Quanto menos ruído introduzirmos no processo mais fácil será conseguirmos uma solução", declarou.

Quanto a eventual transferência para a ilha do Sal de todos os voos da TACV, que a partir de janeiro deverá deixar de voar diretamente para a capital do país e para as duas ilhas mais populosas (Santiago e São Vicente), Olavo Correia adiantou que "falará oportunamente quando o plano de negócios estiver aprovado".

"Uma coisa é certa, tem de ser um negócio. Não pode ser à vontade de cada um e os negócios têm que ser feitos na base da rentabilidade, da racionalidade económica e financeira. Devemos deixar a emoção de lado", considerou.

CFF // EL

Lusa/Fim


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