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Festival LIteratura - Mundo do Sal ambiciona chegar mais à população em próximas edições

09 de Julho de 2017, 18:13

Santa Maria, Cabo Verde, 09 jul (Lusa) - O escritor português José Luís Peixoto, curador do festival Literatura - Mundo do Sal, que hoje terminou, fez um balanço "muito positivo" do evento e estabeleceu como ambição para próximas edições um maior envolvimento da população.

A primeira edição do festival reuniu, entre quinta-feira e domingo, na ilha cabo-verdiana do Sal, meia centena de escritores, tradutores, jornalistas e investigadores, para abordar a chamada literatura mundo.

Admitindo que esta primeira edição decorreu sobretudo em circuito fechado, José Luís Peixoto reconheceu a importância de envolver mais as populações em edições futuras, nomeadamente através das escolas.

"Nesta data, a maioria das escolas estão em férias e esse é um aspeto que também temos que tentar melhorar porque a nossa ambição é chegar o máximo possível à população e fazer com que esta presença possa ser formadora, possa deixar algum interesse até pela própria leitura", disse.

"Temos a ambição de chegar ao maior número de pessoas, mas também temos a consciência de que alguns temas não são tão interessantes para um grupo tão alargado", disse.

José Luís Peixoto considerou, ainda assim, que relativamente à interação com o público, a primeira edição do festival tem motivos para celebrar, nomeadamente "a boa adesão" às oficinas de escrita e de teatro.

"Pode ser um momento mais diretamente dirigido às populações e uma forma de incentivar e apoiar aqueles que têm esses interesses e pretendem aprofundá-los e mostrá-los", disse.

O festival, que decorreu durante quatro dias nas cidades de Espargos e Santa Maria, contou com um programa recheado de conferências, conversas, oficinas, intervenções oficiais, mas também houve vários momentos de teatro, música e poesia, além de lançamento de livros e passeios turísticos a alguns dos locais mais emblemáticos da ilha do Sal.

Centrada na literatura em língua portuguesa, a primeira edição do festival homenageou o escritor português José Saramago e o poeta cabo-verdiano Corsino Fortes e contou com a participação de alguns dos principais escritores cabo-verdianos como Arménio Vieira, José Luiz Tavares ou Germano Almeida.

Relativamente ao futuro da iniciativa, José Luís Peixoto sublinhou o compromisso de todos os parceiros, nomeadamente da câmara do Sal e da empresa de Aeroportos e Segurança Aérea (ASA), principal mecenas, para a continuidade do festival.

Para o presidente da Câmara do Sal, Júlio Lopes, a "adesão e a qualidade do evento" indicam que a primeira edição do festival "foi um sucesso", o que cria "todas as condições" para que o certame passe a ser realizado anualmente.

"Há todo o empenho da câmara para que este festival seja instituído anualmente", disse, sublinhando os efeitos multiplicadores da iniciativa na promoção turística.

Os participantes, entre os quais se contam críticos e jornalistas, "quando voltarem para os seus países vão falar do festival e vão falar do Sal", assinalou.

"É uma forma indireta de fazer promoção do destino turístico ilha do Sal e de Cabo Verde", acrescentou, apontando a necessidade de "enriquecer a oferta turística de sol e praia com novos ingredientes", nomeadamente a cultura.

No último dia do festival foram assinados protocolos com várias instituições e outros festivais, incluindo a União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA) e a Fundação José Saramago para reforço das ligações.

"Estamos a fazer trabalhos semelhantes e que têm as mesmas ambições. Todos podemos ganhar com o apoio mútuo. Um dos princípios fundamentais deste mesmo festival é a ideia de encontro e de estreitar as distâncias. Estamos a falar de literatura, estamos a falar do mundo e esses são os valores que pretendemos defender: o encontro, a troca de experiências e a proximidade", disse José Luís Peixoto.

O festival Literatura - Mundo do Sal teve a coordenação científica da editora Rosa de Porcelana.

CFF // EL

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