Página gerada às 17:14h, quinta-feira 19 de Outubro

Krioll Jazz será primeiro festival de Cabo Verde a pagar direitos de autor

14 de Abril de 2017, 20:30

Praia, 14 abr (Lusa) - O festival Kriol Jazz será o primeiro evento do género em Cabo Verde a pagar direitos de autor, devendo entregar à Sociedade Cabo-verdiana de Música (SCM) 8% das receitas de bilheteira, disse hoje a organização.

O festival, que se realiza anualmente na capital cabo-verdiana há nove edições, inicia hoje o primeiro de dois dias de concertos pagos, depois de a 08 de abril ter realizado o habitual espetáculo grátis num dos bairros periféricos da cidade da Praia.

Djô da Silva, diretor da produtora Harmonia, que organiza o festival em parceria com a autarquia praiense, explicou hoje, em conferência de imprensa, que o primeiro pagamento foi baseado na bilheteira de 2016, em que foram vendidos cerca de 1.800 bilhetes.

O responsável adiantou que serão pagos direitos autorais para todas as músicas que forem tocadas no festival, que este ano homenageia o violinista Humberto Bettencourt, "Humbertona".

Djô da Silva destacou a normalidade do pagamento de direitos de autor, adiantando que não foi feito em edições anteriores por não haver uma "sociedade representativa dos artistas e a cobrar os direitos como deve ser".

A presidente da SCM, Solange Cesarovna, considerou "uma vitória" o primeiro pagamento dos direitos por parte de um festival de música.

Solange Cesarovna, que também é cantora, aproveitou para apelar a outros festivais nacionais e a todos os que de uma forma ou de outra usam a música para efeitos comerciais, a seguirem o exemplo do Krioll Jazz Festival.

Para a presidente da SCM, este pagamento vai reforçar o processo de candidatura da SCM à Confederação Internacional das Sociedades de Autores e Compositores (CISAC), processo no qual conta com o apoio da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) e que deverá acontecer em junho, em Lisboa.

Na primeira noite de entradas pagas, atuam na Pracinha da Escola Grande o artista cabo-verdiano Grace Évora a abrir e a cantora brasileira Maria Gadu a encerrar a programação da noite.

Destaque ainda para a atuação da norte-americana e haitiana Leyla McCalla, que canta em francês, crioulo haitiano e inglês e toca vários instrumentos, como violoncelo, banjo tenor e violão.

Profundamente influenciada pela música tradicional crioula e cajun do Louisianna, pela música tradicional haitiana e pelos géneros americanos, "jazz" e "folk", Leyla está a promover o seu álbum "A Day for the Hunter, A Day for the Prey", lançado em 2016.

Para sábado e último dia do festival, estão agendadas atuações de Elida Almeida (Cabo Verde), e ainda artistas de países como Estados Unidos da América (Spyro Gyra), Cuba (Roberto Fonseca Quartet), Gana (Pat Thomas e Kwashibu Area Band), Canadá (Topium) e Angola (Dj Satélite).

CFF // ANP

Lusa/Fim


Comentários

Critério de publicação de comentários

 

SAPO Jornais