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Banco central diz colaborar com autoridades judiciais no caso Novo Banco de Cabo Verde

20 de Março de 2017, 15:06

Praia, 20 mar (Lusa) - O Governador do Banco de Cabo Verde (BCV) afirmou hoje que está a colaborar com as autoridades judiciais no âmbito do processo de resolução do Novo Banco, adiantando ter já enviado ao Ministério Público as informações pedidas.

"O Ministério Público (MP) solicitou ao BCV informações. Ainda que não tenha especificado o tipo de informações, enviamos as informações que achamos por bem. Cabe agora ao MP analisar as informações, ver se eventualmente poderá haver indícios criminais e agir em conformidade. Temos todo o interesse que tudo seja esclarecido e o dever institucional de colaborar com as autoridades judiciais e estamos a fazê-lo", disse João Serra.

O governador do banco central cabo-verdiano falava hoje aos jornalistas, na cidade da Praia, à saída de uma audiência com o Presidente da República de Cabo Verde a pedido do chefe de Estado.

O banco central cabo-verdiano (BCV) anunciou há duas semanas a resolução e venda à Caixa Económica de Cabo Verde de parte da atividade do Novo Banco, uma instituição de capitais quase exclusivamente públicos, com cerca de 13.200 depositantes ativos e vocacionado para a economia social e o microcrédito.

A resolução do Novo Banco é um primeiro passo para a sua extinção administrativa que representará um prejuízo estimado em cerca de 16,3 milhões de euros para os cofres do Estado e deixará cerca de 60 trabalhadores no desemprego.

Aos jornalistas, João Serra reafirmou que a resolução do banco foi a melhor solução para conseguir salvar os depósitos, ressalvando que o BCV apenas supervisiona a atividade bancária, cabendo aos acionistas decidir o que fazer.

"O banco estava numa situação financeira deveras crítica. Querendo, os acionistas podiam tomar outra decisão recapitalizando o banco, mas para nós só a recapitalização do banco não seria o suficiente, teria que haver uma alteração do modelo de negócios, uma vez que o modelo adotado não dava garantias quanto à viabilidade financeira", disse.

João Serra esclareceu ainda que a autorização dada na altura pelo Ministério das Finanças - responsabilidade que passou entretanto para a competência do BCV - era para o Novo Banco funcionar como "um banco qualquer".

"O objeto social do novo banco não determinava que os créditos seriam necessariamente concedidos a micro, pequenos ou médios operadores", disse João Serra, adiantando que essa questão não foi determinante na decisão de resolver o banco.

Dados divulgados pela imprensa cabo-verdiana dão conta de que apesar de ter sido criado para financiar a economia social, apenas 5% dos créditos concedidos respeitava esses critérios.

"O que levou o BCV a tomar a decisão tem a ver com a financeira crítica porque passava o banco, que não cumpria com os rácios", sublinhou.

A resolução do Novo Banco está a marcar a atualidade cabo-verdiana com o Ministério Público a pedir para "apreciação" documentos e informações relacionados com a resolução, e o Parlamento cabo-verdiano a quer ouvir todos os responsáveis, atuais e anteriores, relacionados com este processo.

CFF // PJA

Lusa/Fim


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