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Diretores de teatro de Braga e Vila Real criticam aumento do IVA para espetáculos

14 de Outubro de 2011, 17:25

Porto, 14 out (Lusa) - A subida do IVA para 23% nos espetáculos é para o diretor da Theatro Circo de Braga uma prova da "total ausência" de política cultural e, para o diretor do Teatro de Vila Real, "um salto quase mortal".

O diretor da Companhia de Teatro de Braga, e responsável do Theatro Circo, Rui Madeira considera que o "anunciado" aumento do IVA sobre o preço dos bilhetes de espetáculos "prova" a "total ausência" de uma política cultural por parte do Governo.

A proposta preliminar do Orçamento do Estado para 2012 prevê, à partida, o aumento do IVA de seis para 23 por cento no que concerne aos bilhetes para espetáculos culturais.

Em declarações hoje à Agência Lusa, Rui Madeira deu conta que o "aumento do preço dos bilhetes de espetáculos por causa do aumento do IVA vai refletir-se no número de espetadores dos espetáculos".

O responsável pela programação do Theatro Circo em Braga adianta que o "anunciado" aumento do IVA "vai afastar ainda mais gente das salas".

Segundo Rui Madeira "esta medida prova a total ausência de uma política cultural por parte do Governo que vai ainda prejudicar equipamentos e artistas".

Para Rui Madeira esta medida reflete a "falta de entendimento do conceito de serviço público que a Cultura representa" afirmando mesmo que "o Governo marginaliza a cultura".

O diretor do Teatro Municipal de Vila Real, Vítor Nogueira, classificou hoje como uma "má notícia" a subida do IVA. "É um salto quase mortal", afirmou à Agência Lusa.

Vítor Nogueira referiu que esta subida vai representar uma dificuldade acrescida quer para os públicos, como para a sua casa de espetáculos.

Até ao final do ano passado, a taxa de ocupação das duas salas de espetáculo do teatro de Vila Real era de 88 por cento. O preço médio do preço dos bilhetes ronda os 10 euros.

"O nosso orçamento para o próximo ano ainda está em construção, mas a ideia é tentarmos ver onde podemos cortar mais, o que já não é muito fácil, mas ver onde é que podemos cortar mais para que não tenhamos que carregar tanto nos preços", salientou.

Só que, acrescentou, "vai ser difícil para os espetadores e para a própria casa que programa".

Salientou ainda que, na elaboração do orçamento do próximo ano, o teatro está dependente das indicações que forem dadas pela principal fonte de receitas, que é a Câmara de Vila Real, e que também está afetada com os cortes orçamentais.

Na apresentação do organograma da Secretaria de Estado da Cultura, a 21 de setembro, o secretário de Estado da Cultura assegurou a independência dos organismos sob a sua tutela, mas também destacou a necessidade de terem de prestar contas sobre programação e resultados de bilheteira.

PLI/JYC/(MAG/SS).

Lusa/fim.


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