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Santo Antão: Ilha africana protegida de um santo africano

16 de Janeiro de 2010, 00:34


Vila da Ribeira Grande, 16 Jan (Inforpress) - O achamento da ilha de Santo Antão aconteceu no dia 17 de Janeiro de 1462 por navegadores portugueses comandados por Diogo Afonso.

Por isso, a efeméride é festejada na ilha como dia do primeiro município criado após o achamento e que, posteriormente, se foi dividindo até aos actuais três concelhos (Ribeira Grande, Paul e Porto Novo).


Embora haja quem defenda o 17 de Janeiro como um dia que devia ser festejado em toda a ilha e, por isso, feriado “intermunicipal”, as autoridades nunca se pronunciaram a respeito e continua a ser apenas do concelho da Ribeira Grande.


Dia dedicado ao “Santo” Antão, a vertente religiosa da festa é também uma componente importante com a solene celebração eucarística e procissão a marcarem o dia da festa.


O patrono da chamada “Ilha das Montanhas” é um santo africano, nascido na cidade de Conam, no coração do antigo Egipto, decorria o ano 251, e foi baptizado com o nome de Antão. Era o primogénito de uma família cristã de camponeses abastados e tinha apenas uma irmã.


Segundo reza a história, aos 20 anos, com a morte dos pais, Antão herdou todos os bens e a responsabilidade da irmã para cuidar. Mas, numa missa, foi tocado pela mensagem do Evangelho em que Cristo ensina a quem quer ser perfeito: “Vende os teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro nos céus. Depois, vem e segue-me (Mt 19,21)”. Foi exactamente o que ele fez.


Antão distribuiu tudo o que tinha aos pobres, consagrou sua irmã ao estado de virgem cristã e se retirou para um deserto não muito longe de sua casa.


Passou a viver na oração e na penitência, dedicado exclusivamente a Deus. Como, entretanto, não deixava de atender quem lhe pedia orientação e ajuda, começou a ser muito procurado. Por isso, decidiu retirar-se ainda para mais longe, vivendo numa gruta abandonada, por dezoito anos.


Mas seus seguidores não o abandonavam. Aos 55 anos, atendeu o pedido de seus discípulos, abandonando o isolamento do deserto. Com isto, nasceu uma forma curiosa de eremitas, os discípulos viviam solitários, cada um em sua cabana, mas todos em contacto e sob a direcção espiritual de Antão.


A fama de sua extraordinária experiência de vida santa, no deserto, correu o mundo. Passou a ser o modelo do monge recluso e chamado, até hoje, de “pai dos monges cristãos”.


Antão era, também, procurado pelo próprio clero, por magistrados e peregrinos que não abriam mão de seus conselhos e consolo. Até o imperador Constantino e seus filhos estiveram com ele.


Mas, o corajoso Antão esteve em Alexandria duas vezes: em 311 e 335. A primeira para animar e confortar os cristãos perseguidos por Diocleciano e a segunda, para defender seu discípulo Atanásio, que era o bispo, e estava sendo perseguido e caluniado pelos arianos e para exortar os cristãos a se manterem fiéis à doutrina do Concílio de Nicéia de 325.


Morreu com cento e cinco anos, em 17 de Janeiro de 356, na cidade de Coltzum, Egipto, e com a descoberta da “ilha das montanhas”, em 1462 passou a ser o seu protector oficial.


HF

Inforpress/Fim


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