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Conferencista considera que Cabo Verde consegue mitigar a crise financeira

27 de Outubro de 2010, 19:12

Cidade da Praia, 27 Out (Inforpress) - O coordenador do centro da Política e Estratégia do Governo, Manuel Pinheiro, afirmou hoje, que o impacto da crise financeira em Cabo Verde é mitigado, atendendo a sua especificidade como país africano e insular.


O economista fez estas considerações durante a abordagem do tema “O impacto da crise financeira internacional na economia cabo-verdiana e nas novas modalidades de financiamento”, inserido num ciclo de conferências, que decorreu na Cidade da Praia.

“Cabo Verde, como país africano e insular, o impacto da crise financeira é mitigado, atendendo a sua especificidade conjugada com a boa gestão das finanças públicas e devido a sua graduação para o grupo de País de Rendimento Médio e a gestão do instrumento Policy Support Instrument (PSI) assinado entre o Governo e o FMI”, indicou.

Embora tenha sido desencadeada pelos factos ocorridos no mercado mobiliário nos Estados Unidos, Manuel Pinheiro recordou que a crise financeira internacional propagou-se por todas as regiões do mundo com consequências desastrosas nas suas economias nacionais.

“Num contexto internacional dominado pela forte contracção da procura mundial e por níveis de incerteza anormalmente elevados, a economia nacional voltou a registar um abrandamento no seu ritmo de crescimento em 2009, tendo o PIB apresentado uma taxa de crescimento de quatro por cento em termos reais”, anotou o conferencista.

De acordo com Manuel Pinheiro, nos primeiros meses da crise financeira, julgava-se que o impacto nos países africanos seria mínimo por causa da sua baixa integração na economia mundial.

Além disso, adiantou, os países africanos têm mercados interbancários muito exíguos e vários têm restrições nos novos produtos financeiros bem como na entrada nos mercados, o que os deve proteger dos efeitos directos da crise financeira mundial.

“Essa mesma abordagem, com legitimidade, esteve presente nas principais avenidas da economia cabo-verdiana”, indicou o conferencista.

Para o coordenador do centro da Política e Estratégia do Governo, a crise financeira representa um sério revés para a África, porque ela ocorre num momento em que a região estava a fazer progressos tanto no desempenho como na gestão económica.

O economista fez notar, que desde 2000 houve melhorias significativas na governação e uma diminuição no número de conflitos armados, tornando a região mais atractiva para os fluxos de capitais privados.

Em jeito de conclusão, Manuel Pinheiro advertiu que essa crise financeira e económica mundial ameaça reverter todos os ganhos obtidos no desempenho e gestão económica.

Neste contexto, o principal problema que os países africanos enfrentam, recomenda Manuel Pinheiro, é encontrar os meios para gerir a crise para que ela não reduza os progressos realizados desde o início do novo milénio e não frustre as perspectivas da realização dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM).

A sétima sessão do ciclo de conferências foi organizada pelo Centro de Estudos e Estratégias, do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

DR
Inforpress/Fim


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