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Porto Novo: Operadores de pesca artesanal queixam-se da ausência de apoios da edilidade local

13 de Outubro de 2017, 11:27

Os operadores de pesca artesanal no Porto Novo, em Santo Antão, queixam-se, atualmente, da “falta de apoio” da edilidade portonovense e voltam a alertar para os problemas que afetam o setor das pescas neste concelho.


Apesar de a câmara do Porto Novo ter inscrito no seu orçamento de 2017 apoios na ordem dos sete mil contos, os pescadores e peixeiras neste município dizem que a intervenção da autarquia tem sido praticamente nula, numa altura em a situação da classe é marcada por “enormes dificuldades” devido à redução do pescado.

A Associação dos Pescadores do Porto Novo chama, também, a atenção para a “situação de miséria” em que se encontra a classe por causa da redução da captura nas zonas costeiras, alertando que há muitas famílias que mal conseguem “levar a panela ao lume” todos os dias.

O presidente da câmara do Porto Novo, Aníbal Fonseca, admite dificuldades da sua edilidade em intervir no domínio da pesca neste concelho, que carece, a seu ver, de investimentos, concordando que a sua autarquia “não consegue ainda chegar lá onde pretendia” em termos de apoio às pescas.

Para 2018, a situação poderá melhorar, garante o autarca que tem vindo a defender investimentos, por parte do Governo, no setor das pescas no Porto Novo, onde, saliente-se, existe o maior banco de pesca de Cabo Verde, situado no Tarrafal de Monte Trigo, porém pouco explorado devido ao problema de embarcações.

O edil do Porto Novo tem defendido, de entre intervenções, a adoção por parte do Governo de uma linha de crédito em condições favoráveis para permitir aos operadores adquirirem embarcações de maior dimensão para poder alcançar os pesqueiros mais afastados.

O presidente da Associação dos Pescadores do Porto Novo, Atlermiro Correia, defende a “reconversão urgente” do setor das pescas neste município para responder à “situação de penúria” por que passam os operadores locais.

Atlermiro Correia, para contornar essa situação, sugere a ideia de se avançar para a dinamização do ecoturismo, com a transformação dos botes em embarcações de recreios, para se poder manter os pescadores ligados ao mar.

“Temos em Porto Novo praias lindas e sítios históricos subexplorados a nível turístico. É só pegar nos botes de pesca artesanal e adaptá-los, ou seja, transformá-los em embarcações de recreio e de passeio turístico”, explicou este responsável.

Para isso, a seu ver, o Governo precisa rever a legislação sobre a concessão de licença de exploração desse tipo de embarcações que, segundo este responsável, é “extremamente caro”.

Entende, também, que o Governo e o município do Porto Novo deviam apoiar os pescadores na modernização das embarcações, na aquisição de melhores motores e meios de comunicação e de segurança.

Porto Novo deverá receber, em 2018, um projeto integrado de desenvolvimento do setor pesqueiro que, além do problema das embarcações, deverá privilegiar ainda aspetos ligados à infraestruturação (construção de desembarcadouros), conservação e comercialização.

SAPO c/Inforpress

 


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