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Preço para comprar dólar nas ruas de Luanda volta a subir para 390 kwanzas

11 de Agosto de 2017, 17:25

O preço para comprar um dólar nas ruas de Luanda voltou a subir na última semana, estando hoje a ser transacionado até 390 kwanzas (dois euros), conforme ronda feita pela Lusa no mercado informal.

Esta subida, ligeira, surge depois de uma quebra na primeira semana de agosto e após a estabilização à volta dos 390 kwanzas por cada dólar norte-americano durante praticamente todo o mês de julho. Ainda assim, esta cotação de rua permanece acima do dobro da taxa de câmbio oficial definida pelo Banco Nacional de Angola (BNA), há mais de um ano fixa nos 166 kwanzas (85 cêntimos de euro).

O último pico na cotação de rua, ilegal, mas também indicativa para vários setores de atividade, registou-se em junho, quando cada dólar chegou aos 400 kwanzas (2,05 euros), tendo descido nas semanas seguintes.

Hoje foi possível encontrar em Luanda cada dólar a ser vendido entre os 380 e os 390 kwanzas em bairros de referência da capital, como Mártires de Kifangondo, Mutamba, Maculusso ou São Paulo.

Estes valores na cotação informal contrastam com o pico deste ano, de 500 kwanzas (2,60 euros) por cada dólar, registado nos primeiros dias de janeiro.

Atualmente, mantêm-se as limitações no acesso a divisas nos bancos, inclusive nas contas em moeda estrangeira, situação que torna a venda paralela, para muitos nacionais e estrangeiros, a única forma de aceder a dólares ou euros em Angola.

Angola vive desde finais de 2014 uma profunda crise financeira e económica decorrente da quebra para metade nas receitas com a exportação de petróleo, tendo desvalorizado o kwanza, face ao dólar, em 23,4% em 2015 e mais 18,4% ainda no primeiro semestre de 2016.

A atividade das 'kinguilas' - como são conhecidas as mulheres que se dedicam à compra e venda de divisas - foi condenada em abril pelo governador do BNA, que advogou o seu fim.

"Não podemos ter, no nosso país, determinadas ruas que definem a referência do preço, onde se vendem dólares ou euros. Não podemos ter este nível de fluxo financeiro no mercado informal, que tem um grande impacto sobre o sistema financeiro", justificou Valter Filipe.

As taxas de rua já estiveram próximas dos 600 kwanzas por cada dólar em agosto e julho do ano passado, depois de máximos de 630 kwanzas em junho, face à falta de dólares nos bancos.

Lusa

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