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Santo Antão: Produtor do grogue exorta a união da classe em defesa da qualidade

08 de Maio de 2017, 11:39

A união dos produtores do grogue em Santo Antão é “a condição fundamental” para se conseguir a qualidade que se quer para esse produto e a sua afirmação no mercado nacional e internacional.

Quem o defende é o produtor do grogue Emídio Alves, que se diz “inconformado” com a perda da qualidade do grogue, verificada neste ano, em Santo Antão, com a utilização, por parte de vários agricultores, do açúcar refinado no fabrico da aguardente.

Emídio Alves, residente em Ribeira da Cruz, no Porto Novo, vale muito conhecido pelo “excelente grogue” que produz, exorta os produtores do “genuíno” grogue de Santo Antão para se unirem em defesa da qualidade do produto. Este produtor, que já esta a engarrafar o grogue com vista à sua colocação no mercado nacional e internacional, voltou a defender a criação de uma associação dos produtores do grogue de Santo Antão, considerando que “só com união é possível enfrentar os desafios” que se colocam à esta industria.

“Há muitos problemas que enfrentamos que poderiam ser resolvidos com a união, ou seja, com a criação de uma associação”, explicou Emídio Alves, para quem “com a organização seria, também, possível discutir ainda com o Governo a criação de linhas de financiamento dessa atividade.

Emídio Alves refere-se ainda a dificuldades que os operadores enfrentam para adquirir os equipamentos de que precisam, entendendo que se houvesse uma associação que defendesse os interesses da classe seria possível discutir com o Governo questões como financiamento, mas também sobre benefícios fiscais.

Os produtores de grogue em Santo Antão têm estado a reivindicar a criação de linhas de financiamento acessíveis para poderem responder às exigências da nova legislação sobre o fabrico do grogue, em vigor desde agosto de 2015.

A fiscalização tem estado, também, no centro das preocupações dos produtores, que consideram que a “ausência” da inspeção na safra deste ano, tem estimulado o fabrico da aguardente de açúcar e contribuído para a perda da qualidade do produto. Este operador volta alertar para o facto de a aguardente de açúcar começar, novamente, a ganhar espaço nesta ilha, devido à “falta de fiscalização”, pondo, assim, em causa os ganhos conseguidos em 2016, a nível de qualidade.

Apesar dessas dificuldades, muitos produtores estão apostados no fabrico de “um grogue de boa qualidade” e, consequentemente, na sua afirmação nos mercados nacional internacional, acredita.

Além de Emídio Alves, outros produtores têm já em curso projetos visando o engarrafamento do produto e sua colocação nos mercados turísticos em Cabo Verde e na diáspora. O grogue que se produz em Santo Antão, considerado uma das alavancas do desenvolvimento da ilha (a produção rondou, em 2016, dois milhões de litros), tem sido exportado para alguns países europeus e para os Estados Unidos, onde o produto tem sido muito procurado, segundo os produtores.

A ilha de Santo Antão dispõe, desde 2008, de uma Confraria do Grogue – a CONGROG, que tem estado, igualmente, a defender um produto genuíno e de referência, que passa, segundo essa organização, pelo reforço das ações de fiscalização e numa “forte aposta” na sensibilização dos produtores, visando essa qualidade.

A certificação do produto, como marca nacional, constitui uma reivindicação dos produtores do grogue em Santo Antão, que defendem ainda a criação de um instituto de grogue.

SAPO c/ Inforpress

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