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Governo: Cabo-verdianos reconhecem esforço, mas querem mudanças concretas

21 de Abril de 2017, 13:25

O desempenho do Governo, que no sábado completa um ano, merece avaliação positiva da maioria dos cabo-verdianos ouvidos pela agência Lusa, que reclamam contudo mudanças concretas em questões como a despartidarização, os transportes ou a saúde.

No Plateau, centro histórico da cidade da Praia e das zonas mais movimentadas da capital, a maioria dos transeuntes interpelados pela Lusa mostrou-se indiferente à passagem de um ano sobre a tomada de posse do Governo apoiado pelo Movimento para a Democracia (MpD).

Entre os poucos que aceitaram falar para a reportagem, o sentimento geral é de que um ano é pouco para fazer a avaliação e de que este período serviu essencialmente para organizar e desbloquear processos.

"De uma forma geral, o desempenho é bom", avaliou Adérito Lopes, 46 anos, professor do ensino secundário, natural da ilha de São Vicente, mas que dá aulas no Fogo.
"O Governo conseguiu fazer coisas necessárias, desbloqueou processos e dossiês pendentes", sustentou o professor, sem especificar.

Sentado num dos bancos da praça Alexandre Albuquerque, enquanto espera para "tratar alguns assuntos", elegeu a partidarização como o "lado negativo" da ação do executivo durante o primeiro ano de mandato.

"O Governo do MpD continuou a fazer muita coisa como antes", lamentou, dizendo, porém, que as perspetivas "são boas" porque as pessoas estão a encarar o futuro de forma mais positiva, o que, considerou, dá mais segurança para resolver os problemas.

E alguns dos problemas a precisar de ser resolvidos têm a ver com os transportes entre ilhas, marítimos e aéreos, e com a saúde, apontou Gilson Moniz, 32 anos, desempregado no momento por causa de problemas de saúde.

Numa correria na Rua Pedonal, também no centro histórico da Praia, a tratar todos os papéis para poder ir fazer tratamento em Portugal, Gilson Moniz considerou que estas duas áreas estão "péssimas" e espera soluções do Governo.

Quanto ao ano de governação, disse que ainda é muito cedo para fazer uma avaliação, considerando que foi um período curto para fazer muita coisa.

Nos próximos tempos, Gilson Moniz, natural da Praia e com formação na área da segurança, disse esperar "mais coisas" concretas e "mais soluções" para o país por parte do executivo.
 
 Na Rua Pedonal, está também José Rodrigues Moreira, 60 anos, que, em declarações à Lusa, considerou que o primeiro ano de Governo foi sobretudo de planificação e de arranque.

"O primeiro ano ainda é difícil avaliar, mas foi sobretudo para organizar. Depois de dois ou três anos podemos começar a ter melhores resultados", prognosticou, sublinhando que é importante o Governo cumprir o que prometeu.

Emprego, transportes, desporto e cultura são as áreas em que José Rodrigues Moreira espera que sejam tomadas medidas concretas.

Animador social, José Moreira considerou que a questão da insegurança conheceu "alguma acalmia", mas pediu mais ação neste setor nos dois grandes centros urbanos do país - Praia e Mindelo.

Em São Vicente, Euclides Cardoso, militar reformado, ouvido pela agência Inforpress, considerou também ser cedo para avaliar se as promessas do Governo estão a ser cumpridas, mas notou que o executivo está a "trabalhar aos poucos", acreditando que levará o país ao "desenvolvimento desejado".

Euclides Cardoso nomeou como ponto positivo a política de descentralização dos serviços, dizendo que já se verifica "alguma flexibilidade" no que toca à participação dos municípios.

O Governo liderado por Ulisses Correia e Silva completa no sábado o primeiro ano da tomada de posse.
 
Lusa

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