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Erupção vulcânica: Proprietários lamentam perda da “Casa Monte Amarela”

05 de Dezembro de 2014, 12:01

Os proprietários do já extinto “Casa Monte Amarela”, hospedaria engolida esta semana pela lavas em Portela, lamentam a forma como em poucas horas “perderem toda a economia”, numa época considerada alta, com mais de 150 reservas turísticas.

A jovem Maria Filipa Montrond Fernandes, popularmente conhecida por “Olívia” é uma das filhas do casal responsável pela gerência, partilha entre os familiares desta infra-estrutura, que diariamente recebiam turistas dos quatro cantos do mundo.

Agora abrigada no Centro de Acolhimento dos Mosteiros, esta jovem empreendedora de Chã das Caldeiras, está a tentar recuperar “a alegria perdida”, já que “a “Casa Monte Amarela”, conforme faz questão de assinalar, funcionava como um dos pontos de paragem obrigatória dos turistas nacionais e sobretudo internacionais.

Afirma que esta hospedaria já fazia parte do circuito turístico dos austríacos, alemãs, franceses, italianos, Espanhóis de entre outros países da Europa, e não só, assim como já estava a desempenhar um “forte papel” enquanto impulsionador do turismo nacional.

Estupefacta pelo sucedido, Olívia deixa os seus olhos brilharem e se emociona a ponto de não poder conter lágrimas, pois considera “indescritível” a forma como em poucas horas toda a economia da família foi consumida pelo fogo, “algo que deixa a família desorientada e dispersa”, enquanto até antes desta erupção vulcânica, disse, “a gente funcionava como um só”.

A Casa Monte Amarela, explica, dava conforto a todos os elementos da família, que tinha rendimentos certos, já que todos os serviços prestados como guias-turísticos, motoristas, cozinheiros, serviços de bares e restauração eram suportados pelos pais, ela e mais cinco irmãos, sobrinhos de entre outros integrantes da família.

Revela que todos os produtos consumidos nesta pensão dependiam do vulcão, já que a terra fértil da Chã, faziam com que a mesa estivesse sempre recheada de frutas, hortaliças e legumes, carnes bovinas, caprinas, suínas, assim como aves como galinhas, patos, peru, ou não fossem os irmãos camponeses e pastores que beneficiavam deste que era um vasto campo de pastagem.

A hospedaria, segundo relata, era composta por dez quartos, seis dos quais equipados com casa de banho privativo, e estava sistematicamente ocupada pelos turistas e gentes das ilhas que procuravam a emblemática “Chã das Caldeiras”, para apreciarem as realidades de uma vivência ao sopé de um vulcão activo.

Dada às características desta região em Portela, hoje bastante dizimada pelas lavas desta erupção vulcânica iniciada no domingo, 23 de Novembro, Olívia, 30 anos, disse que vai sentir a falta de Chã das Caldeiras, por toda a vida.

Afirma que a gente da Chã tinha uma vida suave e que “praticamente em nada dependiam do Estado”, com o argumento de que de miúdos a graúdos passado pelos mais adultos, todo o mundo tinha o seu rendimento garantido, por ser dos poucos pontos do país, onde “todo o mundo tinha o seu futuro garantido e que não faltava emprego”.

É por isso que passados três dias sobre a tragédia que fez com que a “Casa Monte Amarela” fosse totalmente dizimada pelas lavas vulcânicas, Olívia que está neste Centro de Acolhimento nos Mosteiros, acompanhada por uma das sobrinhas, enquanto o resto da família encontra-se dividida pelos outros abrigos, em Ponta Verde e Monte Grande, considera o momento como “um dos mais difíceis” da sua vida.

“Eu sou filha do vulcão, não sei viver a minha vida longe de Chã das Caldeira. Tudo o que tive na minha vida, nestes 30 anos, foi o vulcão que me deu. Agora tomou tudo, tudo”, desabafa esta Montrond, que entretanto, à semelhança do grosso da população de Chã das Caldeiras, continua a mostrar-se fiel ao seu vulcão.


Inforpress

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