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Lancha Voadora : Audição do antigo ministro da Justiça volta a subir tensão no Tribunal

17 de Abril de 2013, 17:01

O antigo ministro da Justiça, Simão Monteiro, depôs hoje no julgamento da “Lancha Voadora”, acto que fez subir a tensão entre Ministério Público e o advogado de defesa de José Teixeira e Editur, Eurico Monteiro.

O antigo governante foi constituído testemunha pela defesa de José Teixeira e empresa Editur, já que em 2000 começou a trabalhar na Tecnicil, (empresa da qual o arguido era sócio) inicialmente como responsável pelo departamento jurídico e posteriormente como membro do Conselho de Administração juntamente com o próprio José Teixeira.

Nesta que é a 20ª sessão deste julgamento, Simão Monteiro explicou os meandros do negócio da venda do arguido da sua capital social - 50 por cento – que tinha na empresa Técnicil – para a constituição da Editur, alegando que o negócio terá rendido 600 a 700 mil contos a Teixeira.

Descreveu a Editur como uma empresa do ramo imobiliário de grande porte, ressalvando mesmo que logo após a sua criação desenvolveu grandes projectos numa área de 65 hectares de terreno, a ponto de superar o volume de negócio da própria Tecnicil.

Enumerou de entre as obras executadas pela Editur os projectos para Praia Negra e a construção de apartamentos em Achada Santo António, Cidadela e terrenos que, segundo explicou, José Teixeira recebera da Tecnicil como parte do seu capital social.

A audiência de Simão Monteiro foi marcada por algum clima de tensão que envolveu o advogado Eurico Monteiro e os procuradores Patrício Varela e Altino Mendes acerca de uma questão levantada pelo Ministério Público que insistiam em saber se é prática corrente ou não uma empresa deste ramo inteirar-se da origem dos dinheiros dos clientes na venda dos seus apartamentos.

O juiz-presidente Sebastão de Pina teve de intervir para apaziguar os ânimos, e chegou mesmo de chamar atenção a Altino Mendes e Eurico Monteiro que os assuntos pessoais terão de ser resolvidos fora do Tribunal.

Apaziguado o clima, Monteiro disse que era prática corrente na Tecnicil fazer negócio com dinheiro vivo, sobretudo junto dos emigrantes e alguns estrangeiros e citou com exemplo que no caso da Cidadela na Praia, uma das instituições bancárias do País chegou a disponibilizar máquinas para contagem dos dinheiros à empresa, dado a grande circulação de dinheiro vivo.

Monteiro, disse entretanto, desconhecer qualquer ligação entre as empresas Editur e ImoPraia, também constituída arguida neste processo “Lancha Voadora”.

Na audiência de hoje foi também ouvido o engenheiro de construção civil, César Alexandre Pinto, que esteve ligado as obras do edifício Achada Santo António, enquanto testemunha de Teixeira.

Esclareceu que tinha conhecimento que o mesmo pertencia às arguidas Nichinha e Ivone, que durante os trabalhos notava visitas as obras dos acusados Paulo Ivone e Quirino “Naiss”.

Terminada a audiência às testemunhas de José Teixeira e Editur, o tribunal deu seguimento à sessão de hoje com as testemunhas de defesa de José “Djoy” Gonçalves, representada pela advogada Maria João de Novais.

O engenheiro, Isolino Lopes, foi chamado para falar do seu envolvimento com Djoy Gonçalves, tendo apresantado o arguido como um mergulhador com grandes conhecimentos do mar e que colabora sempre com a empresa que representa nos trabalhos marítimos que incluem equipamentos pesados como gruas no Porto da Praia de entre outras actividades náuticas.

Sandra Gonçalves Gomes, que se apresentou ao Tribunal como companheira de Djoy Gonçalves, diz ter conhecido os arguidos Veríssimo Pinto como seu ex professor, Nais, Carlos Gil, Nichinha, Paulo Ivone e Nilton em actividades marítimas, separadas, que conhecia a “Lancha Voadora” e que inclusive já fez passeata na outra embarcação envolvida neste processo, a Xefina.

Ainda nesta sessão foram ouvidas um empregado de mesa de um dos restaurantes da capital de que Djoy era cliente de entre outras testemunhas.

O juiz-presidente deste julgamento disse que, ouvidas as testemunhas de acusação, pretende agilizar o julgamento, razão pela qual aspira ouvir diariamente uma média de oito pessoas.

Nesta ordem de ideia, pretende terminar esta quarta-feira a audição às testemunhas de Djoy Gonçalves, para na quinta-feira dar voz à defesa do arguido Paule Ivone Pereira, estando reservado para a próxima segunda-feira audiência à defesa do antigo presidente da Bolsa de Valores de Cabo Verde, Veríssimo Pinto.

A Operação Lancha Voadora culminou a 8 de Outubro de 2011 com a maior apreensão de sempre de droga em Cabo Verde: uma tonelada e meia de cocaína em estado de elevada pureza, entretanto incinerada, para além de milhares de euros e outras moedas, milhões de escudos cabo-verdianos em notas, cinco viaturas topo de gama, três jipes, duas "pick-up", uma "moto-quatro" e várias armas e munições.

Neste processo, são arguidos o antigo presidente da Bolsa de valores de Cabo Verde, Veríssimo Pinto, que assim como Paulo Pereira, Quirino dos Santos, Carlos Gomes Silva, António "Totony" Semedo, Luís Ortet, Ernestina "Nichinha" Pereira e Ivone de Pina Semedo, se encontra sob prisão preventiva na Cadeia de São Martinho, na capital.

Nilton Jorge, Sandro Spencer, Nerina Rocha, José "Djoy" Gonçalves, Jacinto Mariano, José Teixeira e José Alexandre Oliveira aguardam julgamento em liberdade.

São também arguidas várias empresas cabo-verdianas ligadas directas ou indirectamente aos acusados: Editur, ImoPraia, AutoCenter, Aurora Internacional e TecnoLage, todas com sede na Cidade da Praia.

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