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Lancha Voadora: Testemunhas dos arguidos entram em cena

17 de Abril de 2013, 19:26

O julgamento do caso Lancha Voadora entrou hoje na fase de audiências às testemunhas dos arguidos com o empresário e gestor da Tecnicil Industria, Alfredo Carvalho, a depor enquanto testemunha do réu José Teixeira.

Na qualidade de advogado de defesa da Editur, empresa no ramo de imobiliária que é arguida neste processo assim como o seu proprietário, José Teixeira, alegadamente por estarem envolvidos na lavagem de capitais, Eurico Monteiro questionou Alfredo Carvalho.

Este alega que conheceu José Teixeira desde 1987 e que em 1998 constituíram uma sociedade em comum denominada Tecnicil Construção Imobiliária e que estiveram envolvidos em negócios de grandes empreendimentos, designadamente, a urbanização da Cidadela no Palmarejo Baixo (ilha de Santiago), investimento que rondou os três milhões de contos, e a construção dos dois maiores condomínios da Cidade da Praia: Mira Mar e Ondas do Mar.

Alfredo Carvalho esclareceu que os dois condomínios foram investimentos que renderam à volta de um milhão de contos para cada um dos associados, afora ganhos conseguidos em outros empreendimentos considerados menores como Império I, III Milénio de entre outros edifícios construídos em Achada de Santo António.

Carvalho disse ainda que José Teixeira recebeu cerca 800/900 mil contos em 2006, aquando da sua retirada da Tecnicil e explicou que comparando a natureza da Editur com as outras empresas no sector imobiliário considera a mesma grande, face ao volume de investimentos e dimensão dos projectos que executam e desenvolvem.

Já abordado pelo Ministério Público, afirma que enquanto associado de Teixeira na Tecnicil chegaram a vender apartamentos a muitos emigrantes com dinheiro vivo, sobretudo na Cidadela, mas não conseguiu esclarecer qual o maior volume do dinheiro vivo, que receberam (moeda nacional ou em dólar ou euro).

Entretanto, disse desconhecer qualquer ligação entre a Editur e a ImoPraia e Aurora, empresas indicadas neste processo como sendo pertenças das arguidas Ivone Semedo e Eunice Pereira (mãe e filha), mas ressalvou não ser prática da empresa preocupar-se com a origem ou procedência dos dinheiros que recebem nos negócios que faz.

Alfredo Carvalho disse que pessoalmente, enquanto empresário e gestor nunca ordena o depósito de qualquer quantia da empresa na sua conta pessoal.

Quem também foi ouvido na qualidade de testemunha é o bancário Américo Miranda, pois que de Abril de 2006 a Setembro de 2007 desempenhou as funções de administrador financeiro na Editur, tendo explicado ao Tribunal os meandros dos negócios da empresa, como sendo do conhecimento de todos os trabalhadores e com “procedimentos normais”.

Assegura que, da sua parte, no negócio que envolveu Editur e ImoPraia estabeleceu-se os mesmos critérios com “outros clientes” e que este foi o primeiro empreendimento da empresa que representava, cujo início de construção, atesta, foi em 2007.

Também um tal bancário de nome José foi ouvido enquanto representante de uma instituição financeira portuguesa com sucursal em Cabo Verde, que explicou sobre os procedimentos legais quanto às transferências bancárias do estrangeiro para um cidadão em Cabo Verde.

O julgamento de hoje tinha começado entretanto com a audiência aos inspectores judiciários Domingos Ramos e Carlos Fernandes Moreno, uma vez que ambos estiveram envolvidos, de forma directa, nas diligências e vigilâncias da “Lancha Voadora”.

Domingos Ramos Teixeira disse ter investigado a “Lancha Voadora” desde que a viu pela primeira vez em reparação na Praia Negra até 3 de Outubro de 2011 “quando fez a última viagem e não mais regressou”.

Ligou os arguidos Djoy Gonçalves, Quirino “Naiss”,Paulo Ivone, Carlos Gil e Jacinto Miranda à embarcação e negócios e disse ter participado pessoalmente na detenção de Paulo Ivone e apreensão dos seus documentos de identificação e bens pessoais como telemóveis.

Assim como Ramos Teixeira, Carlos Fernandes participou dos trabalhos de vigilância, razão pela qual enumerou as várias movimentações registadas pelo grupo de arguido para o abastecimento da Lancha Voadora na sua alegada última viagem para tráfico de drogas na ilha do Maio.

A Operação Lancha Voadora culminou a 8 de Outubro de 2011 com a maior apreensão de sempre de droga em Cabo Verde: uma tonelada e meia de cocaína em estado de elevada pureza, entretanto incinerada, para além de milhares de euros e outras moedas, milhões de escudos cabo-verdianos em notas, cinco viaturas topo de gama, três jipes, duas "pick-up", uma "moto-quatro" e várias armas e munições.

Neste processo, são arguidos o antigo presidente da Bolsa de valores de Cabo Verde, Veríssimo Pinto, que assim como Paulo Pereira, Quirino dos Santos, Carlos Gomes Silva, António "Totony" Semedo, Luís Ortet, Ernestina "Nichinha" Pereira e Ivone de Pina Semedo, se encontra sob prisão preventiva na Cadeia de São Martinho, na capital.

Nilton Jorge, Sandro Spencer, Nerina Rocha, José "Djoy" Gonçalves, Jacinto Mariano, José Teixeira e José Alexandre Oliveira aguardam julgamento em liberdade.

São também arguidas várias empresas cabo-verdianas ligadas directas ou indirectamente aos acusados: Editur, ImoPraia, AutoCenter, Aurora Internacional e TecnoLage, todas com sede na Cidade da Praia.

@
Inforpress


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