Página gerada às 03:15h, sexta-feira 24 de Maio

O grande desafio de África é de passar da condição de consumidor para produtor – Pedro Pires

13 de Julho de 2012, 09:53

O ex-presidente da República de Cabo Verde e Presidente da Fundação Amílcar Cabral, Pedro Pires, disse quinta-feira, na Praia, que o grande desafio da África é o de passar da condição de consumidor para produtor.

Pedro Pires que discursava na cerimónia de encerramento das Jornadas Anuais de Governação em África, que teve lugar na capital cabo-verdiana nos últimos dias, salientou que esta é uma das formas de os próprios africanos garantirem o desenvolvimento do continente.

“Nós consumimos ideias, consumimos produtos manufacturados, os conhecimentos vêm dos outros. E o que nós produzimos?”, questionou o ex-chefe de Estado cabo-verdiano, efusivamente aplaudido pelos participantes do encontro.

“Temos de passar da condição de consumidor para condição de produtor, mas isso exige muito”, sublinhou, apontando para a necessidade da aposta na melhoria ao nível da formação, capacitação e educação e mais investimentos no conhecimento e na investigação.

Só assim, acrescentou Pedro Pires, vai ser possível ter os instrumentos para os próprios africanos “tomar  em mãos  o  seu próprio  destino”.

Pedro Pires defendeu, igualmente, a necessidade da África e dos africanos superarem os  seus deficits,  acentuando que o primeiro  deficit  situa-se  no quadro das instituições.

“As instituições não são pessoas e é fundamental que para a perenidade dos factos ou continuidade das instituições do Estado que elas funcionem e que tenhamos uma cultura institucional”, disse, apontando Cabo Verde como sendo uma sociedade cum uma “relativa cultura institucional, que tem dado frutos”.

Durante a sua  explanação de pouco mais de  30  minutos, Pedro Pires, qualidade  do presidente  da Fundação Amilcar  Cabral, falou da problemática  do  exercício do poder  e da capacidade  de liderança  política e social, da necessidade  dos  governantes  africanos  conhecerem  melhor  os seus  países, entre outros  aspectos.

Promovida pela Aliança para a Reconstruir a Governação em África (ARGA), as Jornadas Anuais da Governação em África sob o lema “África  Reiventa  a sua governação”  reuniram, na Cidade da Praia, actores africanos e não africanos que “acreditam” que a África pode “assumir o controlo do seu destino”, e delinear os contornos de uma nova perspectiva política, económica, social e cultural.

De entre as recomendações, destaque para o reforço institucional e a criação de uma classe política que responda às exigências e os desafios de uma África que se quer segura, desenvolvida e próspera.

“Todos os actores consideraram que a África tem um forte potencial para o desenvolvimento, no processo de mundialização, mas defenderam a necessidade de uma classe política que responda justamente às exigências de África que se quer desenvolvida e próspera”, disse o coordenador Aliança para Refundar a Governação em Africa, Assane Mabye no final do encontro. 


@Inforpress


Comentários

Critério de publicação de comentários

 

Banca de Jornais