O ex-presidente da República de Cabo Verde e Presidente da Fundação Amílcar Cabral, Pedro Pires, disse quinta-feira, na Praia, que o grande desafio da África é o de passar da condição de consumidor para produtor.
Pedro Pires que discursava na cerimónia de encerramento das Jornadas Anuais de Governação em África, que teve lugar na capital cabo-verdiana nos últimos dias, salientou que esta é uma das formas de os próprios africanos garantirem o desenvolvimento do continente.
“Nós consumimos ideias, consumimos produtos manufacturados, os conhecimentos vêm dos outros. E o que nós produzimos?”, questionou o ex-chefe de Estado cabo-verdiano, efusivamente aplaudido pelos participantes do encontro.
“Temos de passar da condição de consumidor para condição de produtor, mas isso exige muito”, sublinhou, apontando para a necessidade da aposta na melhoria ao nível da formação, capacitação e educação e mais investimentos no conhecimento e na investigação.
Só assim, acrescentou Pedro Pires, vai ser possível ter os instrumentos para os próprios africanos “tomar em mãos o seu próprio destino”.
Pedro Pires defendeu, igualmente, a necessidade da África e dos africanos superarem os seus deficits, acentuando que o primeiro deficit situa-se no quadro das instituições.
“As instituições não são pessoas e é fundamental que para a perenidade dos factos ou continuidade das instituições do Estado que elas funcionem e que tenhamos uma cultura institucional”, disse, apontando Cabo Verde como sendo uma sociedade cum uma “relativa cultura institucional, que tem dado frutos”.
Durante a sua explanação de pouco mais de 30 minutos, Pedro Pires, qualidade do presidente da Fundação Amilcar Cabral, falou da problemática do exercício do poder e da capacidade de liderança política e social, da necessidade dos governantes africanos conhecerem melhor os seus países, entre outros aspectos.
Promovida pela Aliança para a Reconstruir a Governação em África (ARGA), as Jornadas Anuais da Governação em África sob o lema “África Reiventa a sua governação” reuniram, na Cidade da Praia, actores africanos e não africanos que “acreditam” que a África pode “assumir o controlo do seu destino”, e delinear os contornos de uma nova perspectiva política, económica, social e cultural.
De entre as recomendações, destaque para o reforço institucional e a criação de uma classe política que responda às exigências e os desafios de uma África que se quer segura, desenvolvida e próspera.
“Todos os actores consideraram que a África tem um forte potencial para o desenvolvimento, no processo de mundialização, mas defenderam a necessidade de uma classe política que responda justamente às exigências de África que se quer desenvolvida e próspera”, disse o coordenador Aliança para Refundar a Governação em Africa, Assane Mabye no final do encontro.
@Inforpress
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