O continente africano pode atingir uma retoma económica "forte" a partir de 2012, mas está dependente do impacto da crise económica global, que deverá afetar exportações e entrada de capital, segundo a ONU.
O relatório 2012 da Comissão Económica da ONU para África e União Africana, hoje apresentado nas Nações Unidas, refere que as perspectivas de crescimento a médio prazo são "optimistas", baseando-se no regresso da estabilidade ao norte do continente, mas estão "ameaçadas" pelo abrandamento da economia mundial.
Para o director de políticas e análise de Desenvolvimento na ONU, Rob Vos, o cenário económico global recente é "muito pessimista".
"Se a situação se deteriorar e com o desenrolar da fragilidade financeira na Europa, isso também levaria a fluxos de capital mais voláteis para África", afectando o investimento directo estrangeiro.
A persistência do desemprego elevado na Europa, onde residem muitos emigrantes africanos, afecta também as remessas para o continente.
Segundo o relatório, as perspectivas gerais optimistas para África "dependem de a economia mundial recuperar o seu ímpeto de crescimento", que tem permitido um aumento das exportações africanas, motor das economias do continente.
Mesmo com o crescimento económico dos últimos anos, alerta a ONU, os países africanos em geral não conseguiram criar empregos e rendimentos necessários para reduzir os elevados níveis de desemprego e pobreza no continente.
"Os países africanos terão de diversificar as suas fontes de crescimento para sectores de mão-de-obra intensiva para fazer progressos nessas áreas", refere.
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