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Seminário Económico Portugal-Cabo Verde: "A globalização dá mais centralidade a Cabo Verde" - Rocha de Matos, AIP

12 de Junho de 2012, 15:32

Os excelentes resultados económicos conseguidos por Cabo Verde e as oportunidades de negócio no nosso país estiveram em discussão, esta manhã, no Seminário Económico Portugal-Cabo Verde, no Centro de Congressos de Lisboa, inserido na visita oficial do Presidente Jorge Carlos Fonseca a este país.

O encontro reuniu dezenas de empresários portugueses e contou com a presença do presidente Jorge Carlos Fonseca, Rocha de Matos (AIP), do ICEP, da Cabo Verde Investimentos, através de José Duarte, e do secretário de Estado português dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Luís Brites Pereira.

Depois de destacar a parceria estratégica existente entre Portugal e Cabo Verde, bem como a importante posição que este país representa para a exportações lusas para África (2º lugar, depois de Angola, e 16º no geral) Rocha de Matos, presidente da Associação Industrial Portuguesa (AIP), disse querer ter em Cabo Verde "um parceiro privilegiado para as empresas portuguesesas entrarem noutros mercados da região".

"A AIP, que marca a sua presença em Cabo Verde através da parceria na Feira de Cabo Verde (FIC), o maior evento comercial realizado nas ilhas", afirmou, "quer ter no Presidente da República um apoiante para a sua estratégia para a região", disse Rocha de Matos, num pedido dirigido directamente a Jorge Carlos Fonseca.

Em declarações à imprensa, o presidente cabo-verdiano disse aceitar o desafio lançado por Rocha de Matos, no qual vê também uma "parceria sólida para Cabo Verde e as suas empresas chegarem a outros mercados internacionais."

O secretário de Estado Luís Brites Pereira, por seu turno, falou do papel das duas economias e da sua relação especial, adiantando que "países como Portugal e Cabo Verde devem abrir as suas economias", e que esse desenvolvimento dever ser "catalítico" para ambos.

"A cooperação portuguesa deverá mais eficaz em relação a Cabo Verde, criando condições para o desenvolvimento da sua economia e melhorar as condições de vida das suas populações", disse o secretário de Estado.

Brites referiu-se ainda que até 2025 haverá uma evolução do PIC, que contemplará as áreas da saúde, capacitação nas áreas das tecnologias, educação, cooperação tecnico-policial, bem como o apoio directo ao orçamento de Cabo Verde.

"Cabo Verde é um modelo a seguir pela sua boa governação, respeito pelos direitos humanos e a solidez das suas instituições", referiu o governante português.

Questionado sobre o papel cada vez mais importante dado por Portugal a Cabo Verde, do qual a crise na Guiné-Bissau é o último exemplo (em que o ministro da Estado e da Defesa Paulo Portas se empenhou pessoalmente), Luís Pires Brites referiu-se apenas "à forma de trabalhar mais concreta do governo de Portugal e na atitude com os países parceiros e amigos".

Por seu lado, o Presidente da República, na abertura dos trabalhos, salientou também o longo e positivo percurso de Cabo Verde, e numa análise ao impacto da actual crise referiu que "sendo Cabo Verde uma pequena economia insular o país tem mostrado alguma resiliência face à crise mundial."

"Apesar da taxa de crescimento se situar actualmente em 5%, a crise mundial já levou a uma baixa de 40% no investimento externo", disse, sendo este quase todo canalizado para o turismo.

O Presidente destacou também a dependência quase exclusiva do país em relação à área do euro no seu comércio externo e do regime cambial com Portugal. No entanto, salientou Fonseca, "a estabilidade política, a situação geográfica, os elevados níveis de educação e a motivação da população são os garantes da atractividade para uma retoma do investimento no futuro."

Rui Miguel Santos, da CESO-CI Internacional, apresentou um estudo com especial enfoque nas áreas mais atrentes para o investimento português, em Cabo Verde, como são os sectores da construção e materiais de construção, alimentar e hotelaria.

Aqui os números falam por si, com as exportações portuguesas para Cabo Verde a representarem 45% da importação cabo-verdiana, e com um crescimento, em 2011, na ordem dos 20%.

 "Existe um quase monopólio em sectores como os sumos, vinhos, sopas e preparados, e um domínio do mercado de máquinas e aparelhagens, metais e produtos agrícolas, em cerca de dois terços."  

José Armando Duarte, presidente da Cabo Verde Investimentos, fez uma análise económica e das condições favoráveis que fizeram o país crescer 6% nos últimos anos e dos resultados positivos, em 2009 e 2011, que permitiram manter o crescimento, graças a medidas "profiláticas tomadas atempadamente."

Duarte aproveitou a presença dos empresários para falar dos vários clusters projectados para Cabo Verde, no Centro Internacional de Negócios, do plataforma de serviços, do centro de transformação de produtos de pesca, das tecnologias de informação, serviços financeiros, do transhipment, energias renováveis, da duplicação da oferta turística, entre outros projectos, em execução ou em fase de lançamento, integrados no plano de desenvolvimento de Cabo Verde.

Estiveram ainda presentes no encontro Jorge Benchimol, em representação das Câmaras de Comércio de Cabo Verde, e João Chantre, da Câmara de Comércio Portugal-Cabo Verde, que se disponibilizaram para fornecer todas as informações aos interessados.

JA

 

 


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