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José Maria Neves vai ao Vaticano convidar Bento XVI a visitar arquipélago

02 de Setembro de 2010, 20:44

O primeiro ministro José Maria Neves vai convidar o papa Bento XVI a visitar Cabo Verde, uma vez que “a Igreja Católica tem tido um papel fundamental na construção da Nação e na identidade do cabo-verdiano”.

O Chefe do Governo cabo-verdiano visita Itália de 3 a 8 de Setembro onde irá discutir com os governantes da Santa Sé a Concordata, a ser assinada entre os dois estados, e que deverá reger as relações entre a Igreja católica e o país.

“A primeira diocese criada em África em 1533, foi a da Cidade Velha, na altura tinha mais igrejas por metro quadrado que a própria cidade de Roma. Além disso, a igreja católica tem tido um papel fundamental na construção da identidade do cabo-verdiano e acho que, nada mais justo, que possamos receber a visita do Santo Padre Bento XVI”, explicou.

Cabo Verde recebeu a visita do Papa João Paulo II em janeiro de 1990.

No Vaticano, José Maria Neves vai discutir com o secretário de Estado do Vaticano os pontos a estabelecer na Concordata que os dois Estados irão assinar “ainda este ano”.

O chefe do executivo cabo-verdiano sublinhou que vai ser um “documento complexo”, onde figura o património e o papel da Igreja no país, questões de ordem fiscal, além de definir a gestão do património histórico e religioso existente na Cidade Velha, que têm de estar compatibilizados com a legislação cabo-verdiana.

“É um trabalho bastante complexo, que precisa ter um roteiro que conduza até à assinatura do documento, que vai depender das negociações. Apesar disso, estamos a pensar que, ainda este ano, possamos concluir as negociações”, garantiu.

Pelo facto de Cabo Verde possuir uma percentagem elevada de católicos, José Maria Neves espera conseguir uma parceria bastante sólida no contributo da Igreja Católica na formação das pessoas, dos valores de solidariedade e da fraternidade na sociedade cabo-verdiana.

A intenção, segundo o primeiro ministro, é que esses valores venham a contribuir para o crescimento dos bens espirituais, "sentimento fundamental para a transformação do país".

As relações entre Cabo Verde e o Vaticano regem-se até agora por uma concordata da época colonial, assinada entre a Santa Sé e Portugal.

O governante cabo-verdiano precisou que é necessário a definição de um novo acordo para colmatar as lacunas existentes, de forma a estabelecer um quadro moderno adequado aos novos tempos.

Além dos contactos com a Santa Sé, José Maria Neves manterá ainda em Itália encontros com a Fundação Santo Egídio para discutir “questões relacionadas com a África, com a construção de Estados, gestão de conflitos e diálogo entre Estados, países e civilizações”.

José Maria Neves inclui ainda na agenda um encontro com os representantes da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), mais concretamente com o departamento do FIDA, organismo que tem financiado o programa nacional de luta contra a pobreza em Cabo Verde.

O governante espera que a renovação do setor agrícola no país possa contar com o apoio da FAO.

O chefe do executivo tem ainda encontros com responsáveis do Programa Alimentar Mundial (PAM), com quem vai discutir a problemática das cantinas escolares em Cabo Verde. Na ocasião, o PAM deverá entregar formalmente ao Governo de Cabo Verde o programa dos novos moldes de funcionamento nesse domínio.

Ainda em Itália, o primeiro ministro manterá contactos com a comunidade cabo-verdiana.


   Lusa

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo ortográfico ***

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