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Fã nº1 de Cesária Évora: Elzbieta Sieradzinzka e a sua 'Peregrinação Cesariana'

15 de Junho de 2010, 18:35

A diva cabo-verdiana, Cesária Évora, pode ter milhares de fãs espalhados pelo mundo, mas poucos serão como a polaca Elzbieta Sieradzinska. Esta tradutora de 51 anos, funcionária de uma biblioteca de Varsóvia, há 10 anos que segue, fielmente, a cantora cabo-verdiana, pelos quatro cantos do mundo.

Tudo começou em 2000, como nos conta num francês com algum crioulo pelo meio: "A minha mãe ficou doente e em poucas semanas faleceu, foi tudo muito rápido e eu entrei numa depressão terrível."

Os amigos visitavam-na e encorajavam-na a fazer qualquer coisa, "anima-te, tens de recuperar a tua vida, e outras coisas assim", explica. Antes desse dia fatídico era uma pessoa alegre: "cantava, gostava do meu trabalho, posso dizer que tinha uma vida interessante, mas de repente tudo mudou".

Quantro meses depois, seguindo o conselho de um amigo, foi a um concerto, em Varsóvia, de uma cantora muito recomendada. E tudo mudou na sua vida. "Ver o ouvir a voz de Cesária Évora foi como uma revelação para mim; de repente, recuperei a alegria, senti-me a reagir de uma forma estranha, mas muito positiva". Depois do concerto, seguiu para casa contente, "ainda a tentar perceber o que tinha acontecido".

O que Elzbieta percebeu foi que tinha de ver essa cantora outra vez e de imediato resolveu comprar bilhetes para o próximo concerto, desta vez em Paris. No final pediu para falar com ela e "logo ali se desenvolveu uma amizade entre nós".

Elzbieta não consegue explicar muito bem de onde vem esse impulso. "Eu sinto qulquer coisa de especial nela, talvez o seu carisma forte". A esta admiração e fidelidade Elzbieta chama de "Peregrinação Cesariana", pelo mundo fora: Letónia, Estónia, Espanha, França, Portugal, Austrália, EUA, Roménia, etc.

Nas suas contas, já são mais de 50 concertos de Cesária em que ela marcou presença. "Depois de alguns, saíamos as duas a passear um pouco, ela própria gostava de relaxar e conversar comigo, sempre simpática."

Tanta dedicação e amizade permitiram-lhe conhecer a mulher que existe para lá da vedeta internacional. Uma mulher, nas palavras de Elzbieta, "muito observadora e carinhosa com aqueles que estão à sua volta." Para tanto, houve a necessidade de aprender o crioulo e falar com Cesária na sua própria língua."Falamos muitas vezes ao telefone e ela corrige o meu crioulo; ela diz-me: 'mim ê bo professora, bo ê nha fidje."

Cabo Verde, naturalmente, acabou por se tornar um destino para Elzbieta "Eu já visitei-a em São Vicente, várias vezes, e quando lá estou ela preocupa-se muito comigo, principalmente quando saio à noite."

Aos 51 anos, para além de segui-la por todo o lado, Elzbieta possui todas as edições dos cd de Cesária Évora, livros publicados, gadgets, cartazes, etc. E a saúde da cantora, como era de esperar, é uma enorme preocupação sua.

"A primeira vez que ela teve esse problema, na Austrália, fiquei chocada, quase que morri de susto, liguei à Juiliette Lopes (Lusáfrica) a pedir informações." Desta vez, esteve com Cesária em Barcelona e depois no concerto de Lisboa, antes do colapso e do internamento, em Paris. "Eu disse ao Angelo (Lusáfrica) que não quero receber as notícias por telefone, senão vou morrer!"

"Se pudesse dava-lhe o coração, as veias, tudo o que ela precisasse, não imagino que ela possa desaparecer assim de repente."

E quando se discute o futuro de Cesária nos palcos, Elzbieta, fã número um e amiga do peito, é da opinião que ela deve continuar a cantar: "Pode fazer menos concertos, usar o bom senso e limitá-los, mas acho que nem o José da Silva consegue convencê-la a parar de vez."

Nos 10 anos que a acompanhou pelos palcos do mundo, Elzbieta não hesita na sua conclusão: "Os artistas devem responder ao público e uma coisa é certa: Cesária Évora mais forte do que se pensa."
 
A dedicação de Elzbieta Sieradzinska passou dos concertos para as páginas de um
site e um blog  que ela dedica a Cabo Verde e à tarefa de corrigir informações deturpadas que vão surgindo na imprensa polaca. A divulgação da cultura cabo-verdiana no seu país muito deve à paixão que Elzbieta nutre pela voz de Cesária e pelas melodias crioulas.

Elzbieta está em permanente contacto com José da Silva e toda a equipa da editora Lusáfrica, em Paris, para seguir a par e passo o estado de saúde de Cesária. E é claro que ficou exultante com as últimas notícias de que a cantora está a caminho de São Vicente para um longo repouso.

JA


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