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Simplesmente Vieira: Filhas de Paulino seguem as pisadas do pai

23 de Outubro de 2009, 18:44

Simplesmente porque ambas são filhas de Paulino Vieira, um dos maiores compositores da música de Cabo Verde, e como se costuma dizer: filhas de peixe sabem nadar. Netas também, pois o avô, Santos Vieira, foi um dos mais conhecidos rabequistas de São Nicolau. E o resultado, para já, é uma versão fresca a duas vozes, de M Qria ser Poeta, uma das mais emblemáticas músicas do reportório do pai e da música das ilhas.

Aparentemente, estava previsto, desde muito cedo, esta tentação para a música por parte de Vilma e Poliana Vieira. Ambas nasceram em Lisboa, num perfeito ambiente musical. "A música está-nos nas veias".

Comecemos pela mais velha, Vilma (que era para ser Wilma, mas...), 32 anos,actualmente jornalista da RDP África. Sempre acompanhou o pai nas gravações, e desde novinha já cantarolava Barbara Streisend... O pai levava-a para todo o lado, para os ensaios, gravações... "teve de aprender a mudar-me as fraldas de propósito para isso", recorda. E são muitas, confessa, as memórias dessa época.

O jornalismo aparece a sua vida como uma "surpresa", já que a música foi sempre o seu sonho. Aos dez anos participa num disco de Natal de Paulino Vieira, e por ali seguiu, fazendo coros aqui e ali e alimentando o sonho. Aliás, o mesmo se passaria com a mais nova Poliana, 22 anos, realizadora de cinema, a residir há 9 anos na Holanda, e desde "novinha" ao lado da madrinha Celina Pereira e da Tété Alhinho.

Vilma conta: "A ideia de Simplesmente Vieira surge de uma oportunidade para matarmos as saudades uma da outra". Apesar da diferença de nove anos entre ambas sempre foram muito próximas. E como gostam de cantar- e com o incentivo dos amigos, claro - e tendo em conta os timbres de vozes acharam que seria bom um reencontro musical, a nível familiar.

A escolha recaiu sobre a música M Qria ser poeta, espécie de hino - composto para a mãe, Gabriela Soares - que lhes diz muito, mas o efeito foi tão grande que neste momento estão a pensar em avançar. Depois deste clássico do pai, a vontade é cantar outras músicas, mas sem interromper o jornalismo e o cinema.

De momento seguem-se os ensaios e ponderar o futuro, sendo filhas de quem são, "sabemos como estar na música e da responsabilidade que é este desafio".

A experiência de Poliana, em terras de Holanda, não podia ser melhor. "Trabalho com artistas talentosos, músicos, bailarinos, coreógrafos, em busca de uma carreira, num trabalho "fascinante" de bastidores." Ao mesmo tempo, faz pequenos filmes, documentários, clips musicais, a paixão da vida artística.

Com o projecto Simplesmente Vieira em andamento, falta concretizar um outro sonho: visitar São Nicolau, a ilha de origem da família Vieira. Para Poliana será uma primeira vez em Cabo Verde; para Vilma a segunda, já que acompanhou o pai a São Vicente, o ano passado, num espectáculo, no festival da Baía das Gatas.

A expectativa para um cd com mais músicas está lançada, e o público atento às vozes de uma dupla que promete muitas surpresas.

JA@


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