Página gerada às 17:00h, quinta-feira 19 de Outubro

Novo cd da Diva: "Nha Sentimento" de Cesária Évora com cheirinho a música árabe

22 de Outubro de 2009, 20:19

Depois das incursões nas músicas brasileira e cubana e um pezinho na pop - pela mão de Riuichi Sakamoto e Caetano Veloso - (e, pelo meio, o susto de um enfarte), a cantora cabo-verdiana Cesária Évora regressa com um novo disco de sonoridades encantadas (ver vídeo), desta vez evocativas do mundo árabe, a ser lançado no próximo dia 26 de Outubro.

"Alguns estudos feitos comprovam uma forte influência da música árabe na música cabo-verdiana", explica Nando, o director musical, que vem acompanhando a cantora, nos últimos anos. "Sabes que ele é sobrinho de Manuel de Novas?", pergunta Cesária, orgulhosa, referindo-se ao grande compositor de mornas e coladeiras, falecido há poucas semanas.

E é precisamente das composições de Novas que Cesária continua a escolher o reportório para gravar os seus discos. Das cerca de catorze faixas de "Nha Sentimento" cinco são da autoria do malogrado compositor, que, ao lado de B. Leza, forma a dupla dos mestres da morna e da coladeira, do século XX.

Sempre de cigarro entre os dedos, e desviando os olhos dos telhados da Lisboa pombalina, Cesária sorri e revela como a escolha dos novos arranjos de cordas egípcias foram como "uma prenda" que José da Silva, seu produtor de sempre, lhe ofereceu. "Simplesmente adorei".

Mantendo a tradição e o estilo que a tornaram célebre, três mornas do novo cd: "Vento de Sueste", "Sentimento" e "Mam Bia E So Mi", beneficiam de arranjos de cordas assinados pelo músico Fathy Salama, que dirige a Grande Orquestra do Cairo. O resultado final é evocativo de uma familiaridade que se perde na noite dos tempo; a provável raiz anduloso-árabe da morna, defendida por muitos estudiosos.

O novo cd beneficia, igualmente, da respiração das percussões e da envolvente melancolia do acordeão de Régis Gizavo, e das composições plenas de esperança de Teófilo Chantre, outro dos compositores preferidos de Cesária.

Cabo Verde é, mais uma vez, celebrado na voz mais conhecida das ilhas; uma voz com 68 anos, que, para além de cantar a saudade e o amor perdido, também possui um humor refinado de "menininha de são cente" e está sempre pronta para uma picardia.

E com o regresso aos estúdios regressam também as digressões. No entanto, como explica Nando, "Os shows são de uma hora e meia, mas o seu número foi reduzido, obviamente, para não cansá-la demasiado".

Considerada uma espécie de Billy Holliday do "blues cabo-verdiano, fala-se agora num filme que irá imortalizar a Diva de Pés Descalços na tela. Mas, não se mostrando muito entursiasmada, Cesária adianta: "Nem tudo sobre a minha vida é para ser revelado; há coisas que são para eu guardar cá dentro".

Ver vídeo aqui

JA


Comentários

Critério de publicação de comentários

 

SAPO Jornais