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Ferro Gaita nas Tercenas do Marquês: quando se tenta colocar um elefante num frigorífico.

27 de Setembro de 2009, 20:53

Comecemos pela organização: quando alguém convidar os Ferro Gaita para um concerto em Portugal, tenham em atenção a dimensão da banda junto do público. Eram 22 horas e a fila para entrar era enorme. Para alguém entrar, era preciso sair outra pessoa. Lá dentro, "não havia espaço nem para um recado".

No Terraço das Tercenas do Marquês, com vista para a Ponte 25 de Abril, os Ferro Gaita levaram ao delírio o imenso público que esgotou o concerto, numa prova incondicional do carácter internacional da banda mais consensual de Cabo Verde. Na sua maioria portugueses, no púlbico encontrava-se para além de cabo-verdianos, como é óbvio, muitos europeus oriundos de França, Alemanha, Inglaterra entre outras paragens. Ninguém ficou indiferente aos ritmos do funaná, do Batuco e da Tabanca (é impossível não dançar quando se está perante os Ferro Gaita).

Às primeiras músicas, aqueles que ainda não estavam familiaziados com os ritmos quentes de Cabo Verde, aos poucos foram se soltando, deixando que o corpo acompanhasse os ritmos vindos do ferro e da gaita, de Bino Branco e Iduíno, até os movimentos ganharem forma de funaná, num remexer até a última música.

A cada música que terminava, entre aplausos e gritos, entre sorrisos e descanso do corpo por segundos, na plateia, os cabo-verdianos, idenficados com os êxitos da banda, pediam "Fundu Báxu, "Cidade Velha", "Rei di Funaná", entre outras músicas que que os cabo-verdianos na diáspora nunca esquecem.

Cá foram muitas dezenas de pessoas aguardavam que alguém se cansasse e abandonasse o local para poderem entrar. Lá dentro, milhares esperavam impacientemente pela próxima música, pedindo mais e mais, sem vontade de sair.

As 23h30, Bino Branco anunciou que aquela tinha sido a última música. Desalento na plateia! As súplicas de mais e mais não foram atentidas. Era hora de abalar.

Uma hora e meia de espectáculo que parecia ter durado 15 minutos. No final, sorrisos nos rostos e troca de impressões sobre a actuação da banda, sobre a música de Cabo Verde (para os não-cabo-verdianos) e sobre como tinha sido bom aquele momento.

Aguardemos pois, pela próxima vinda dos Ferro Gaita a Portugal. E para um espaço maior, para que ninguém fique privado de soltar o corpo ao ritmo do funaná.

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Evandro Delgado

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