O Presidente da República portuguesa, Cavaco Silva foi agraciado com o grau da Ordem Amílcar Cabral.
Cavaco Silva recebeu a mais alta distinção do Estado cabo-verdiano, das mãos do Presidente Pedro Pires.
Nas suas palavras de agradecimento, o Presidente português começou por realçar que este é “um gesto de grande alcance político quer para os portugueses quer para os cabo-verdianos. As nossas relações de fraternidade entre os nossos países ficam, uma vez mais, reforçadas com este acto”.
A situação “complexa da Guiné-Bissau” foi tema de conversa entre os dois presidentes, com ambos a reconhecerem que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), bem como outras “instituições e organizações” da comunidade internacional, podem desempenhar um papel importante na resolução da crise na Guiné-Bissau.
“Depositamos neste momento grande confiança no acompanhamento da situação guineense que está a ser feito no âmbito da CEDEAO, da CPLP, da UE e das Nações Unidas. Consideramos que a comunidade internacional, em particular através destas instituições e organizações, podem dar um contributo da maior importância para fortalecer aquelas que são ainda frágeis instituições constitucionais do país”, disse Cavaco Silva.
Após a distinção no Palácio Presidencial, e as honras militares, o Presidente português dirigiu-se à Assembleia Nacional, onde o aguardava o Primeiro-Ministro, José Maria Neves, membros do governo e deputados, numa sessão extraordinária.
No discurso dirigido aos presentes, Cavaco Silva realçou o carácter democrático do país, referindo a "protecção da dignidade e da liberdade dos cidadãos" como um dos "valores supremos das democracias”.
“Cabo Verde é hoje um Estado de direito democrático respeitado pela comunidade internacional graças ao empenho colocado na edificação de instituições credíveis, fortes e transparentes”, disse o chefe de Estado Português, referindo-se a Cabo Verde e às suas instituições políticas.
Durante a sua intervenção Cavaco falou da importância dos laços culturais e linguísticos que unem os dois países. “Portugal e os Portugueses atribuem a maior importância àquilo que nos unem”.
Existe uma ampla margem para o aprofundamento das relações de cooperação entre Portugal e Cabo Verde que pode passar por uma aposta estratégica no desenvolvimento de fontes de energias renováveis, nas tecnologias de informação e comunicação, que poderão sair reforçadas com esta visita.
Mas é no mar que os dois países parecem empenhados em apostar, com elevadas potencialidades de sucesso, no desenvolvimento de um “cluster do mar”.
No final, Cavaco Silva salientou as inúmeras conquistas que a música e a literatura cabo-verdianas têm vindo a alcançar, além-fronteiras, aproveitando para citar o escritor Eugénio Tavares: “Amo tanto Cabo Verde que através de uma existência de lutas, de sofrimento, com a minha carne lacerada e o espírito batido de decepções, ainda me esqueço de mim para pensar nele”.
Odair Soares, na Cidade da Praia
São os dois nomes que terão feito tremer de medo os nossos antepassados moradores da Ribeira Grande, a primeira cidade europeia construída nos trópicos.
São cerca de 12 mil os portugueses a residirem e Cabo Verde, número que deixou o Presidente português surpreendido.
Dia histórico para os cabo-verdianos, especialmente para os que viram içar, pela primeira vez, a bandeira nacional.
O Presidente da República portuguesa, Cavaco Silva foi agraciado com o grau da Ordem Amílcar Cabral.