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Cultura/40 Anos: Cerâmica deixou de ser apenas utensílio para ser artesanato também – Gracilino Tavares

08 de Julho de 2015

O artesão Gracilino Tavares considera que a cerâmica em Cabo Verde evoluiu muito ao longo dos tempos, porquanto, antigamente os objectos eram tidos apenas como utensílios domésticos, mas hoje são reconhecidos como artesanato e utilizados nas decorações.

Gracilino Tavares que falava em entrevista à Inforpress a propósito das comemorações do 40º aniversário da independência nacional (05 de Julho), disse que há mais de 40 anos tem procurado melhorar a actividade cerâmica no país, para que hoje as peças resultantes dessa actividade possa ser consideradas artesanato.

Segundo este artesão, depois que o país começou a importar utensílios de plástico, de ferro e de vidro, os utensílios feitos com barro, como binde, potes para armazenar água em casa, pratos, “cairam em desuso”, pelo que a estratégia utilizada pelos artesões nacionais como forma de contornar a situação foi a de produzir peças decorativas.

“Nunca pensei que chegaríamos a este nível onde estamos hoje, porque antigamente a cerâmica era utilizada apenas na confecção de utensílios domésticos e não era reconhecida como artesanato, mas depois da independência foi-lhe reconhecido também esse estatuto”, disse.

Por isso, é também de opinião que estes quarenta anos de independência permitiram que o país desse um “salto grande” em termos de produção de cerâmica, tendo em conta que com a aposta em acções de formação, as técnicas apreendidas com os chineses em finais dos anos 80 estão sendo aperfeiçoadas.

Gracilino Tavares disse também que hoje os artesões têm capacidade técnica de produção semi-industrial com qualidade, mas é preciso ainda um “investimento sério” neste sector, para que, em vez de as pessoas estarem a importar peças decorativas possam adquiri-las cá no mercado e de fabrico nacional.

A cerâmica, para este artesão, “não tem fim, não tem limitações na criação, não é um produto nocivo ao meio ambiente, e tem sustentabilidade”, porque há matéria-prima à-vontade, o custo de produção é reduzido e cria empregos.

Contudo, defende que ainda é necessário apostar-se nas novas técnicas para de puder aumentar a produção, bem como em acções de formação ainda por longo prazo, indicou.

“Apostei e acreditei desde o início na cerâmica e hoje, com a utilização de tecnologias muito mais avançadas, a aposta agora é no fabrico de fogão e fornos melhorados que além de pouparem no consumo da lenha, provocam também menos poluição ambiental”, frisou.

Segundo este artesão, vê também com “bons olhos” o facto de, com o passar do tempo, as pessoas estarem a retornar aos poucos à história do barro, por exemplo, utilizando no dia-a-dia panela de barro, copos de barro, pratos de barro, entre outros.

Contudo, Gracilino Tavares aponta como o único senão, o facto de se continuar a conservar a técnica tradicional de cozer a cerâmica através de queimadas feitas com a palha e o excremento da vaca, um processo que, segundo disse, é demorado e prejudicial à saúde, devido à alta produção do fumo.

Apesar disso, desabafa que já respira um pouco mais de satisfação porque, depois de várias tentativas, finalmente o desafio no sentido de se contornar esse obstáculo, está a dar frutos, pois, a cozedura da cerâmica já se faz também em fornos feitos com tijolos de barro.

Por outro lado, acredita que com o passar dos anos e o encaixe das experiências que vão sendo adquiridas, a cerâmica poderá evoluir ainda mais.

Inforpress



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