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Cultura/40 Anos: Perigo da música cabo-verdiana está nos próximos 40 anos, defende Zeca di Nha Reinalda

07 de Julho de 2015

O cantor e compositor de funaná Zeca di Nha Reinalda considera que o “maior perigo” da música cabo-verdiana está nos próximos 40 anos, porque a última geração vai acabar e começar uma outra com outras influências musicais.

Em declarações à Inforpress para fazer um balanço dos últimos 40 anos em termos de música, no quadro do 40º aniversario que se assinala este ano, Zeca di Nha Reinalda é de opinião que devido a influências musicais estrangeiras há o perigo de se fazer outro tipo de música em Cabo Verde, apesar de defender que a originalidade é difícil de se perder.

“Em cinquenta jovens encontramos quatro ou cinco que têm o funaná no sangue, ou seja que “está na raiz”, e que pode fazer perpetuar o funaná e a música tradicional cabo-verdiana no seu todo”, disse Zeca di Nha Reinalda, defendendo que os músicos têm sempre que deixar um legado para as próximas gerações.

Para Zeca di Nha Reinalda, nos últimos 40 anos o Funaná “evolui muito” levando em conta que nos anos 60 e 70 era tocado somente com o Ferro e Gaita e actualmente incorporou os instrumentos electrónicos.

Para o “rei de Funaná” essa incorporação não representou um “retrocesso” ou uma “paragem evolutiva” porque a essência e o espírito do funaná permaneceu o mesmo, “o que demonstra que nunca morreu e sempre vai existir”.

“Podemos vestir uma pessoa de diversas maneiras, mas a sua essência permanece”, defendeu Zeca di Nha Reinalda, considerando que, apesar de influências musicais de todo o mundo, a essência do funaná continua intacta.

No cômputo geral, considera que a música cabo-verdiana evoluiu muito, referindo-se à Cesária Évora como “a maior responsável” desta façanha, uma vez que foi a embaixadora da Morna e Coladeira.

“Quando falamos da música de Cabo Verde nos últimos 40 anos, temos que falar de Cesária Évora, Ildo Lobo, Tito Paris, Titina, entre outros, porque levaram a música de Cabo Verde para os quatro cantos do mundo”, notou.

Por outro lado, disse que a música tradicional cabo-verdiana, principalmente “o batuco”, teve a sua evolução com o aparecimento de Orlando Pantera, que, segundo ele, teve muita influência nos músicos actuais devido à introdução de novos ritmos e uma outra abordagem.

Emanuel Dias Fernandes ou simplesmente Zéca di Nha Reinalda nasceu no Bairro Craveiro Lopes, no coração da cidade da Praia. Aos oito anos de idade, as sonoridades vindas do outro lado do atlântico começaram a atraí-lo, o que fazia com que passasse horas a ouvir música soul norte americana.

Tinha em James Brown uma referência. Com ele aprendeu a cantar, a expressar os seus sentimentos profundos, e a dar voz às mensagens que lhe vinham da alma.

“Tó Martins”, “Sant’Antoni la Belém”, “Si Manera”, “Proverbio” entre muitos outros temas ficarão para sempre na história do funaná e da música cabo-verdiana. Com quatro décadas de carreira, Zéca di Nha Reinalda tem passagem pelos conjuntos "Os Bulimundo e Finaçon.

O Prémio Carreira, que recentemente lhe foi atribuído pela organização dos Cabo Verde Music Awards (CVMA), segundo muitos defendem, fez “plena justiça ao inigualável contributo” que Zéca di Nha Reinalda tem, ao longo dos anos, dado ao funaná e à música tradicional de Cabo Verde.

Inforpress



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